Qual planeta mostra minha personalidade ?

Posted on 12 de dezembro de 2006

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Um fator engraçado, que já tratei no tema da escola astrológica “Jack o estripador”, é que as pessoas, ao invés de tentar integrar o mapa, tentam cortá-lo em pedacinhos.

A pergunta de astrologia mais habitual que vejo sao coisas como “o que significa meu plutao em libra na casa 2 ?”

A segunda mais habitual é “como eu determino ciúme (ou algo parecido) na carta astral ?”

Bem, para início de conversa, Plutao é geracional, ou seja, muuuuuito lento. Eu tenho Plutao em Libra, mas também tem toda a torcida do corinthians… na verdade todo mundo que nasceu entre 1970 e 1982, acredito que seja a geraçao Coca-Cola, é caracterizada por esse posicionamento. Plutao na casa 2 é mais especifico, verdade, 1 em 12 de todas essas pessoas terá plutao na casa 2, apenas alguns bilhoes de pessoas.

Mas o problema essencial nao é esse. Podemos substituir por qualquer planeta, por exemplo a rapidíssima lua, e o problema continua. “Qual planeta mostra minha personalidade ?”

A resposta simples é “nenhum isoladamente”

A resposta mais completa mas falsa é “temos que considerar o mapa como um todo”

Como assim ? Se você leu o tópico sobre astrologia Jack o estripador, pode char que estou me contradizendo… Entao deixa eu me explicar melhor: o mapa fala sobre absolutamente TODA A VIDA da pessoa. Seu trabalho, sua mae, seu pai, seus filhos, seus maridos/esposas, amigos, etc. Ou seja, muitas das posiçoes do mapa nao tem absolutamente nenhuma relevância para a vida do nativo. Para quem um planeta fale sobre esse aspecto tao especifico, a “personalidade” em geral ele tem que ter relaçao com o Ascendente, a lua ou mercúrio.

O que é a personalidade ?

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Infelizmente a confusao nao termina aí. O que é a personalidade ? Podemos buscar a palavra a etimologia persona, etc, mas basicamente a personalidade é a maneira como a pessoa atua, numa dada cultura, em situaçoes cotidianas. Utilizamos para definir a personalidade da pessoa palavras como “aberto”, “chato”, “ranzinza”, “agressivo”, “divertido”. Somente se concentrando nos adjetivos que tem mais ligaçao com a personalidade, Cattell e outros selecionaram na lingua inglesa mais de 17.000 palavras, reduzindo depois para 2000 palavras principais.

Vamos pensar em um momento sobre isso. A partir de um mapa astral, para responder àquele famoso “fale sobre mim”, temos milhares de denominaçoes possíveis, muitas delas sinônimas.

Os psicológos positivistas do século passado também tiveram esse problema e tentaram fazer instrumentos “objetivos” para classificar as pessoas. Os primeiros tinham apenas interesse em classificar doenças, e muitos só tinham “valor de face”: “você se sente muito angustiado todo o tempo?”

Com o tempo e o surgimento da análise fatorial, se desenvolveram dezenas de testes, como o MBTI, o PF16, o Big 5, etc. Cada um divide o ser humano em categorias arbitrárias, mas com semelhanças entre os testes. Assim, aos poucos se desenvolveu uma diferença entre os traços constituintes ou “profundos” e os traços mais contextuais ou “superficiais”.

Para quem estudou Platao ou Chomsky o conceito deve ser fácil, mas para o restante de nós, a maneira mais fácil é pensar em quais conceitos sao os melhores e mais básico para descrever uma pessoa, no maior número de situaçoes possíveis, ou seja, quando você quer descrever sua “essência” ? Você descreveria seu colega de trabalho com palavras como “agressivo, competitivo, emotivo”, ou com palavras como “ciumento, psiquico, mal compreendido”?

Espero que tenha captado o conceito. Palavras como “extrovertido”, apesar de ambiguas, descrevem uma pessoa numa série muito maior de situaçoes do que a palavra “ciumento”, ou “bom gerente”. Em geral podemos definir esses traçoes de superfície como funçao de traços profundos, como por exemplo…

ciume (depende de):

  • agressividade
  • possessividade
  • machismo
  • facilidade/dificuldade de comunicaçao
  • auto-estima
  • etc…

Se considerarmos o mapa astral como o “teste psicológico mais antigo do mundo” temos aqui o mesmo problema entre diferenciar entre o traço profundo e superficial. Ou seja, da próxima vez que perguntarem “onde está o ciúme no mapa?”, responda “em lugar nenhum”. A astrologia trata dos fenômenos essenciais, nao dos acidentais, relativos a situaçoes específicas ou puntuais.

O vocabulário atual está sempre inventando novas “pseudo-palavras” para classificar o ser humano. Mas é de responsabilidade do bom profissional, seja de educaçao, psicologia, administraçao ou astrologia, descartar essas modas tolas. Ou isso, ou passar os próximos anos tentando achar a “pró-atividade” e “a inteligencia emocional”, seja no mapa astral, seja no teste psicológico.

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Qual a marca astrológica para ser Punk ?

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