10 Argumentos contra a Astrologia

Posted on 14 de dezembro de 2006

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Para os mais jovens deve ser uma grande surpresa a afirmaçao de que a revista Superinteressante já foi séria. Sim, sim, eu nao estou brincando. Quem a conheceu pelos longínquos anos 90, sabe que ela já foi uma revista legal, nos moldes da Muy Interessante e da Scientific American, com temas inteligentes, antes que a mao pesada e imbecilizante da Editora Abril a destruisse para mais uma de suas “revistas de comportamento”.

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Para se ter idéia, as capas da primeiras ediçoes eram sobre dinossauros, supercondutores e Albert Einstein, com direito a matérias com quase 10 páginas ! E isso sem os “infográficos” que ocupam quase duas páginas por vez ! Hoje em dia uma breve busca de capas verá que os temas sao muito menos “cognitivos”, apelando mais para medo, ignorancia, cultura pop, com capas apelativas como: o budismo, o cristianismo, o espiritismo, o islamismo estimula a violencia ?, a Ciência explica a Deus ?, a realidade sobre o Código da Vinci, a Ciência do Super Homem, a Ciëncia de Harry Potter, e por aí vai.

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Na minha tese eu defendi que essa fase da imprensa atual, que somente rotaciona, como diz Mino Carta, entre cinco tipos de matérias pré-fabricadas: “o novo homem”, “a nova mulher”, “tecnologias do futuro”, “cuidado, o mundo está cheio de perigos” e “escandalo da semana”, está ligado às tecnologias de controle que Foucault chamou de Biopoder, mas isso sao outros quinhentos…

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Voltando à Vaca Fria, muuuuito tempo atrás a Superinteressante publicou uma matéria chamada 10 Argumentos contra a astrologia. Nao tenho a cópia em maos mais, entao vou ter que citar de memória.  Achei que seria interessante analisar essa matéria por dois motivos:

1 – existem conhecimentos e dúvidas que podem ser úteis aos iniciantes em astrologia.

2 – os argumentos, de natureza positivista, tem graves problemas epistemológicos/argumentativos, os quais a maioria das pessoas nao tem prática em identificar e reflexionar a respeito.

Entao aqui os 10 argumentos contra a astrologia, os quais responderei em breve. Mas gostaria de convidar ao leitor para se perguntar a cada um deles:

“Quais as premissas que estao ocultas nesse argumento ?”

  1. Se plutao (ou outro planeta) afeta o bebê no nascimento, porque o médico, que está muito mais próximo, nao afeta o indivíduo de maneira muito mais profunda ?
  2. Se esse planeta afeta o bebê, porque a influência nao depende da distância ? Planetas como plutao variam enormemente na distância até a Terra ao longo do ano.
  3. Por que outros corpos, como os satélites de televisao, nao influenciam no horóscopo ? Eles podem ser muito menores que os planetas mas estao muito mais próximos.
  4. Por que a data importante é o nascimento e nao a concepcao ?
  5.  Se o útero “protege” a criança da influência astrológica, seria possível proteger um adulto dessas influências usando um grande pedaço de bife ?
  6. Os signos nao estao onde os astrólogos dizem que estao. Na verdade, onde os astrólogos dizem que está o signo de câncer, por exemplo, está o signo de gêmeos.
  7. Se o Ascendente é tao importante, como se faz o horóscopo de lugares de latitudes muito altas, onde mais de uma constelaçao da ecliptica está visível ao mesmo tempo ?
  8. Se a astrologia é um conhecimento “sério”, como é que existem tantas linhas incompatíveis ? Depois de tantos séculos era de se esperar que houvesse uma confluência.
  9. Sabe-se que as pessoas concordam com absolutamente tudo que falam sobre elas. Um grupo muito grande de pessoas se identificou, quando pesquisada, com a descricao que foi feita para o mapa de um serial killer.

O décimo eu nao lembro agora, faz tempo.  Pode haver alguns pequenos erros nos outros, mas o espirito é esse. Como disse, escreverei minha resposta, do ponto de vista mais epistemológico que astrológico, em breve.

Uma pequena anedota para terminar. Uma vez escrevi uma carta para a Superinteressante criticando um artigo, feito por um desses psicologos de quinta categoria que sairam sabe lá deonde. Minha carta foi mais ou menos assim “A edicao numero tal de superinteressante foi muito boa com excecao da coluna de fulano de tal. O sr fulano cometeu os seguintes erros e tal e tal, e cita uma pesquisa que já foi desacreditada a muito, etc.”

Alguns meses depois, que surpresa a minha vendo minha carta publicada ! Só que no seguinte formato:

“Muito boa a edicao numero tal de superinteressante”

Ponto.

Jornalista brasileiro é mesmo uma raça burra e escrota, nao é verdade ? Se ia mutilar a carta, que custava simplesmente inventar uma puta carta elogiosa ? Quem vai saber que o Jé da Silva nao existe ? Se nao gostou da critica, porque simplemesnte nao ignorá-la ? Ele se achou mais inteligente por cortar as partes que nao gostou ?

Entao meu conselho pra quem escreve cartas pra redaçao de jornais e revistas: NUNCA COMECE COM UM ELOGIO !

🙂

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