Os experimentos Gauquelin

Posted on 5 de janeiro de 2007

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Uma vez estava conversando com um físico sobre astrologia, enquanto rolava uma cerveja, e ele jogou o seguinte comentário: “Ia ser interessante fazer um estudo estatístico pra comprovar ou nao a astrologia, nao acha ? Por exemplo, fazer o mapa de uma série de pessoas e comparar com a personalidade delas, nao acha?”

Bem, em primeiro lugar devo confessar minha extraordinária desconfiança e desrespeito pela estatística, seja no estudo da astrologia, medicina, administraçao, etc. É a arte de torturar os números até que eles confessem o que o pesquisador quer. Mas sim, seria uma investigaçao interessante, tanto é que muita gente pensou nisso. Hoje em dia há grupos inteiros com suas publicaçoes com o único propósito de fazer uma astrologia “científica”, entendida como uso abusivo de ferramentas de análise multivariada, mas isso é assunto para outro dia, muito comprido !

Segundo Suzel Fuzeau-Braesch em seu livro “A astrologia” (Zahar, 1990) as primeiras experiências com estatística na Astrologia foram feitas por Chosnard e por Krafft: os dois fizeram muitas estatísticas, onde quiseram provar vários fatores, incluindo a hereditariedade astral, mas que depois foram criticadas por falta de método. O próprio Gauquelin analisa o trabalho deles em “Astrologia, ayer y hoy” (ed Plaza y Janes, Barcelona, 1975) quando investiga os começos da “astrologia científica”.

Basicamente, ao invés de outros pesquisadores que se concentraram muito na posiçao do sol por signo, Gauquelin preferiu ver a posiçao dos planetas em relaçao ao horizonte (o que chamamos de “casas astrológicas”). As correlaçoes que ele encontrou, assim como as limitaçoes do estudo, nao podem ser todas discutidas aqui, entao prefiro apenas apresentar alguns resultados que ele considerou significativos, sem pretensao de discutir se eles sao “verdades” ou nao.

Planetas e a “personalidade” profissional.

Gauquelin, como empirista, quis desprezar as significaçoes básicas astrológicas, como a relaçao entre mercúrio e a escrita, mas acabou mostrando que há uma relaçao estatística entre planetas e profissoes.

Júpiter aparece mais nas “posiçoes chaves” em mapas de políticos, artistas e jornalistas.

Marte é o planeta por excelência de esportistas e militares.

Lua aparece no mapa de escritores de ficçao.

Saturno é o que mais aparece entre cientistas (e nao Júpiter, como se poderia pensar).

Apesar de Gauquelin ter colocado sua descoberta como uma revoluçao, ela de fato apenas reflete as determinaçoes planetárias.

Discuti num post anterior sobre traços de personalidade essencias e superficiais. Nos experimentos Gauquelin existe a premissa de que os planetas influenciam na personalidade, e a personalidade influencia na escolha da profissao. Assim pessoas de características “marcianas”, como a competitividade, o desejo de conquista, a agressividade, escolhiam profissoes esportivas para poder dar vazao as suas necessidades e motivaçao.

Oras, como qualquer um que já esteve presente na hora que adolescentes decidem que vao prestar de vestibular, a escolha da profissao envolve todos os motivos possíveis, sendo a “adaptaçao à personalidade” um fator que geralmente nao é levado em consideraçao ! Para escapar dessa armadilha, Gauquelin usou o conceito de “exito” na profissao… assim, numa amostra de jornalistas quaisquer a relaçao de gauquelin nao é estatisticamente significante, mas ela é muito mais visível numa amostra de jornalistas que se destacam em seu campo.

A seguir algumas estatísticas que tirei do livro de Gauquelin… apenas um aviso, pois muitas pessoas se confundem com o palavreado confuso da estatística… Vamos definir antes a diferença entre frequência e probabilidade:

Vamos supor a seguinte estatística: no final de ano, a chance de um vôo estar lotado é de 80%

Note que isso Nao significa que o vôo está 80% lotado, e sim que, de cada 100 vôos, 80 estao lotados.

Do mesmo modo as estatísticas de Gauquelin todas tem probabilidades muito baixas (como 1 em um milhao), mostrando que elas nao poderiam ser causadas pelo acaso. Mas por outro lado as frequências dos astros nas populaçoes estudadas também é muito baixa.

Por exemplo, na primeira estatística abaixo, de 3647 médicos e cientistas, 724 nasceram logo depois que marte tinha nascido no horizonte, ou logo depois de sua culminaçao no céu. O número previsto por puro acaso seria de 626, ou seja, a diferença é mínima ! Mas como a amostra de Gauquelin era muito grande, o número se torna significativo, ou seja, a chance dessa diferença entre o teórico e o experimental, mesmo pequena, ter acontecido por acaso, é de apenas uma em 500.000..

Mais sobre isso no futuro. Acho que agora o mais conveniente é mostrar as estatísticas para que se tome contato com elas. Aqui abaixo é um trecho do livro de Gauquelin, sobre os planetas que favorecem o exito em cada profissao.
Planetas que favorecem o exito

De 3647 médicos y hombres de ciencia, 724 em lugar de 626 (número teórico calculado) nascieron después del paso de Marte por el horizonte de salida o por su culminación superior. No hay más que uma posibilidad entre 500.000 de que el azar sea la causa de tal excedente de nacimientos. De los mismos sabios, 704 en lugar de 598, nacieron después de la salida o la culminación de saturno. Probabilidades de azar, 1 entre 300.000

Em 2088 campeones deportivos, sólo marte domina, pero con una claridade estadística sorpreendente. Se le observa 452 veces en lugar de 358, en el momento de salida o de la culminación, lo que no deja a la casualidad más que una posibilidade entre 5 milliones

En 3438 militares célebres, Júpiter y Marte se encuentran preponderantemente en las zonas que siguen a la salida y la culminación, Júpiter, 703 veces en lugar de 572, y Marte, 680 en lugar de 590. Probabilidad de casualidad en uno y otro caso: menos de una en un millón.

En 1409 actores célebres, Júpiter aparece 283 veces en lugar de 235 en estas mismas regiones del cielo. Probabilidad de casualidad: 1 entre 1000

En 1003 políticos, júpiter totaliza 205 veces en lugar de 167. Probabilidad: 1 entre 100.

En 1352 escritores, la Luna es muy frecuente en los momentos que siguen a su salida y su culminación, pues se la observa 292 veces en lugar de 225, incidencia que el azar no puede permitirse más que una vez cada 100.000

En 903 periodistas, encontramos a Júpiter saliendo o culminando 185 veces en lugar de 150.5 (posibilidad del azar: 1 sobre 100)

Finalmente en 202 jefes de grandes empresas, Marte está presente después de la salida y la culminación 49 veces en lugar de 34.6 (probabilidad: 1 entre 200)

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