Adianta prever o que já aconteceu ?

Posted on 7 de janeiro de 2007

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Existe a astrologia quando apenas olhamos para trás ?

Como mencionado antes, um casamento que me chamou a atençao foi o da atriz Suzana Vieira. Primeiro o noivo atrasou na cerimônia. Depois, durante a lua de mel parece que o fulano teve alguma doença, e recentemente ele foi protagonista de um pequeno escandalo, depois de dar chilique cheirado num motel com uma suposta garota de programa…

Claro, a tentaçao é a gente chegar e olhar direto na carta “os sinais de fracasso”. Mas como sempre digo, isso é sinal de péssima astrologia ! É por isso que temos tao frequentemente gurus com suas teorias bobas do estilo “oh, juno estava em semi sextil ao ponto médio entre o buraco negro nemesis e o transplutoniano cupido… é óbvio que esse casamento nao ia dar certo”. Os americanos tem um ditado que significa mais ou menos “olhando pra trás, todo mundo tem visao perfeita”, querendo dizer que é fácil prever o que já aconteceu. O objetivo da astrologia é olhar pra frente.

Isso significa que olhar pra eventos já acontecidos é errado ! A resposta é “sim, quando feita sem critérios”. E que critérios seriam esses ? Na minha opiniao eu escolheria esses…

1 – A finalidade é apenas educativa e nao “explicativa”: a finalidade desse tipo de exercício é exercitar o astrólogo, ele aprender com o exemplo, e nao o de querer “explicar” nada. A finalidade da astrologia é prever e nao dizer bobagens sobre o cadáver frio. “oh, vejo que os dois tem um relacionamento que nao tem bases na confiança”. Isso qualquer um diz depois que flagraram o marido no motel, dificil é dizer antes !

2 – Os critérios tem que ser explicitados antes e nao depois de olhar a carta: quando vemos uma carta sabendo o que aconteceu temos que ser 10 vezes mais criteriosos pois inconscientemente somos levados pelo resultado já conhecido. E todas as cartas têm sempre um número infinito de conexoes com outras cartas, ainda mais se adicionamos semi sextis, buracos negros, pontos médios e o diabo a quatro…. ou seja você sempre vai achar algo…

3 – seria possível usar a teoria que você escolheu para prever e nao apenas para rever ? Qualquer teoria que você tenha escolhido para comparar com o evento, ela é realmente útil para prever o futuro, ou apenas para dar explicaçoes para fatos já acontecidos ? Por exemplo, já vi astrólogos discutirem seriamente sobre o fato que “urano estava no MC de Hiroshima no exato momento que a bomba explodiu”. Bem, ótimo, mas urano está no MC de qualquer lugar da Terra uma vez por dia, ou seja, qual o valor preditivo disso ?

Outro problema de quando usamos um “excesso de corpos astronômicos” é que nenhum ser humano pode realmente comparar todos os pontos médios, asteróides, quasares e buracos negros que existem com seus semiquartis, etc, e realmente chegar a alguma conclusao de se o casamento vai ser um fracasso ou se os filhos serao mutantes. Basta pensar que, numa sinastria entre três cartas (casamento e mais as duas pessoas) teremos, para cada critério adicional, centenas de novos aspectos a interpretar…

Mas e o que isso tem a ver com o casamento da Suzana ? Bem, ao invés de chegar e dizer que acabou por causa disso e daquilo, é melhor explicitar quais sao as regras que a gente utiliza numa eleiçao de casamento, ou seja, na escolha do momento mais adequado para um casamento, e depois utilizar essas regras no mapa. Por exemplo, no momento em que escrevo isso eu já peguei a data do casamento de Suzana Vieira, mas ainda nao dei nenhuma olhada no mapa para me “prevenir”. Nao tenho nenhuma idéia se as regras clássicas dao certo ou nao. Assim estou colocando restriçoes a mim mesmo para nao ficar “desviando” na direçao certa.

Isso torna o exercício útil ? Na minha opiniao sim. Nao estamos olhando a carta por curiosidade tola, esperando pra “ver o que surge”. Temos uma teoria já pronta e válida, e queremos ver sua adequaçao com um caso real. Nao temos a pretensao de provar ou desprovar a teoria, apenas de colocá-la num contexto prático, com o objetivo de num próximo caso poder usá-lo com fins preditivos.

Assim, no próximo post as regras antigas para se eleger um bom casamento.

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