Consideracoes sobre o Retorno solar

Posted on 12 de fevereiro de 2007

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retorno solar

Algumas considerações sobre o Retorno Solar

No artigo anterior, a gente discutiu um pouco como fazer um retorno solar. Coloquei fotos para que mesmo quem não fala inglês não tenha muita dificuldade em fazer uma Revolução Solar (RS para os íntimos) no www.astro.com. Também coloquei algumas dicas de como se verificar se o ano é importante ou não. Planetas ou os nodos nos ângulos do RS são fatores importantes, assim como qual é o regente do asc da RS. Agora queria fazer mais algumas considerações para as pessoas irem aprendendo mais sobre o método.

O Ascendente da RS e as casas astrológicas natais

Uma coisa que eu esqueci de dizer no último post era que a casa onde o Ascendente da RS cai não é totalmente aleatório. Principalmente mais perto do equador, o ascendente da revolução segue um padrão de quatro em quatro signos… se o seu ascendente natal era touro, na maior parte das vezes a revolução solar vai alternar entre touro, Leão, escorpião, aquário… nesses casos a indicação que eu dei de que “veja em que casa natal cai o ascendente da RS” deve ser tomada com mais cuidado. Mas mesmo nesses casos, o ascendente da Revolução solar também cairá nos outro signos.

Os planetas e os signos

Como você já deve saber, principalmente se leu o texto anterior, é que o Retorno Solar é calculado para o momento exato que seu sol volta para a posição que tinha no nascimento. Se seu sol estava em 10 graus de virgem, seu retorno solar será para esse exato momento em que alcançar o grau, minuto e segundo no signo de virgem. Isso em geral acontecerá a um dia a mais ou a menos do aniversário.

A conclusão óbvia disso é que o sol sempre estará no mesmo signo que no nascimento, conjunto ao sol natal. Pode parecer óbvio, mas já vi muita gente falando, com toda a seriedade: “no ano que fulano subiu ao poder, seu Sol estava em conjunção ao Sol natal no Retorno solar”. Sério, não tenho a prova do crime mas não tô mentindo !

Assim, não faz muito sentido prestar atenção na posição do Sol por signo, como dignidade, etc, e sim focalizar mais na casa em que está, em que casas rege na RS e que aspectos sofre.

Infelizmente isso também vale pra quase todos os outros planetas. Júpiter se move um signo por ano. Ou seja, todo mundo esse ano (2007) terá uma RS com Júpiter em sagitário… Saturno está desde 2005 em Leão, Urano, Netuno e Plutão são muito mais lentos ainda. Ou seja, você verá esses planetas, ano após ano, no mesmo signo, andando grau a grau.

E os mais rápidos ? Bem, mercúrio e vênus são mais rápidos, mas nunca estão longe do Sol. Mercúrio não se afasta mais que uns 22 graus e vênus uns 48 graus, se não me falha a memória. Então dificilmente estarão a mais de dois signos de distância. Novamente sem muita variedade aí.

Sobra como planetas “móveis” a lua e marte. Esses dois, para todos os efeitos práticos, têm uma posição na RS independente do Sol. Para o resto, como o Sol, têm mais sentido ver sua posição em relação às casas e aspectos. John Frawley defende especialmente que a posição da Lua é muito importante para os Retornos Solares, e a posição do Sol é muito importante para os Retornos Lunares.

História da Revolução Solar

Quem inventou a RS ? Bem, hoje em dia as pessoas usam a RS como se fosse uma invenção sobre a qual todo mundo tem algo a dizer de como interpretar, uns dizem que seguem a Morinus, outros que usam como Volguine, mas o fato é que ela é muito, muito, muito velha.

O primeiro registro que temos é do astrólogo grego Vettius Valens, de dois mil e bolinha anos atrás. Ele inventou as Revoluções Solares ? Também não ! Segundo o próprio, depois de procurar por muitos anos por um método que desse previsões para um ano específico, ele encontrou um astrólogo (talvez indiano, egipcio, persa, não se sabe) em uma de suas viagens, que ensinou esse método das revoluções, já velho naquela época !

O ocidente NUNCA valorizou o conhecimento, apenas o poder. Qualquer idiota que tinha uma teoria ou crença nova, simplesmente reescrevia, ignorando o que os outros fizeram (e isso vem desde ptolomeu !) ou mais simplesmente ainda, queimando o que os outros escreveram. Quem sim dava muito valor ao conhecimento eram os árabes. Não apenas eles conservaram intacto todos os trabalhos de platão, aristóteles (trabalhos esses que os neo platonistas também tentaram apagar da história !), as peças gregas, a astronomia e a matemática pitagórica, os tratados de hipócrates, ou seja, toda a herança do ocidente (que o próprio ocidente tentou apagar em sua miséria) como também os árabes salvaram os trabalhos de astrologia, e com eles a técnica dos retornos solares, aperfeiçoando a técnica mais ainda.

Dos árabes, com certeza o mais destacado é Abu Mashar e seu livro Sobre as Revoluções Solares. Até hoje esse livro não está traduzido completamente, e assim grande parte da técnica nunca chegou ao ocidente.

Esquecendo as técnicas da Revolução Solar.

À medida que finalmente o projeto hindsight vai traduzindo os textos medievais, árabes e gregos, vamos podendo beber nas fontes originais, e descobrimos que após a renascença, os astrólogos, como Lilly e Morin, simplesmente jogaram todas as técnicas antigas fora, no afã de criar uma astrologia “grega”, “científica” e “sem as bobagens árabes”. (Mais sobre isso em breve).

Por exemplo, quando vemos os trabalhos de Vettius Valens ou de Paulus Alexandrinus, vemos bem claramente que a Revolução Solar era feita sempre em conjunto com o sistema chamado de Profecção. A profecção é simplesmente avançar o ascendente natal um signo por ano. O Rodolfo escreveu três textos introdutórios sobre essa técnica:um Exemplo de Profecção e Combinando técnicas medievais (firdaria, revolução solar e profecção). O Gerson Pelafsky tem un artigo mais denso sobre o tema: o Ano climatérico de Tony Blair.

Já quando vemos a astrologia renascentista, vemos que a profecção, apesar de mencionada, é raramente utilizada, e perdeu seu caráter de “unidade” com a RS.

O Desaparecimento da Revolução Solar

Depois da queda da astrologia no século 19, e seu quase total desaparecimento, muito foi esquecido, e assim o foram técnicas como a firdaria, a profecção, e o retorno solar. Tudo que restou foram horóscopos de signo solar nos jornais e coluninhas de qual signo combina com qual, mas nada mais sério que isso…

Nesse ponto foi importante o trabalho de Alexandre Volguine na tentativa de ressucitar as revoluções solares, mesmo que com uma série de adaptações e problemas, como já descrevemos no artigo A revolucao solar é um mapa provisório ? Esse tipo de interpretação mais modernosa e de cunho psicologista pode ser encontrada por exemplo no trabalho de Celeste Teal.

Conclusão:

Espero que esse artigo não tenha sido uma decepção para quem esperava uma análise mais técnica… mas é essencial que se tenha sólido alguns aspectos conceituais e históricos que são a base que dá sustentação à técnica. O Retorno solar é uma técnica que existe há pelo menos 2000 anos, talvez bem mais, o mínimo que se pode fazer é honrar a técnica, e não tratá-la como se fosse um adereço, um brinquedo que qualquer um chega e mexe.

Quando eu ainda não tinha acesso há muita literatura astrolológica, uma vez fiquei todo entusiasmado de encontrar na livraria um livro de retornos solares (coisa rara você encontrar em livraria brasileira qualquer livro de astrologia que não seja do estilo “entenda seu signo”).

Mas que decepção ! Livro de astrólogo brasileiro então, já sabe como é… METADE do livro era de considerações aleatórias sobre o retorno do tempo, os ciclos da vida, o sol e a alma e o espirito, e a sephiroth, etc, etc, etc…

Por isso que acho importante esse tipo de artigo… para que a pessoa pelo menos consiga identificar os picaretas !

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