Os ciclos dos planetas invisíveis

Posted on 28 de fevereiro de 2007

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Qual o significado de Urano, Netuno e Plutão para a humanidade ? Esses planetas lentos afetam realmente o homem a nível pessoal ou no nível político ? De que maneira usar os transaturninos, também conhecidos como os planetas geracionais ? Se a história caminha em ciclos, e os planetas em elipses, podemos encontrar uma relação entre os dois ? É possível usar esses planetas para realmente prever alguma coisa ?

Quem lê esse blog mais continuamente sabe da minha implicância da astrologia moderna com os planetas transaturninos, urano, netuno e plutão. A maioria dos astrólogos modernos totalmente despreza elementos altamente informativos como as regências das casas, dignidade, etc, apenas para se concentrar nos transaturninos: “vc se muda muito de casa ? A resposta deve estar em urano/netuno/plutão”. Tão grande se tornou essa dependência que tenho certeza que, se você retirasse do computador do astrólogo esses astros invisíveis, após gritar a plenos pulmões eles perderiam totalmente a capacidade de falar sobre o mapa a sua frente.

Não sou contra os transaturnianos, sou contra exagerar a sua influência, e bobagens como atribuir a regência de Aquário a Urano, etc. Também sou contra pessoas que, dez segundos após se descobrir um asteróide, repentinamente se tornaram charlatães especialistas em seu significado astrológico: “depois de extensa pesquisa sobre o asteróide US 4268, também conhecido como Sharon Stone, cheguei a conclusão que ele controla o ardor sexual, mas também a tendência a matar o companheiro com um picador de gelo”.

Impacto pessoal ou histórico ?

Um erro muito comum de iniciantes é perguntar coisas como “qual o significado do meu plutão em libra”. Bem, por que “erro”? Porque Plutão esteve em Libra de 1972 a 1983. Que significado pode ter essa posição, se você e toda a torcida do Corinthians, sem falar de meio bilhão de pessoas nascidas nessa década tem o Sr das trevas nesse signo ? O efeitos dos três geracionais, quando vistos do ponto de vista pessoal, é realmente muito menor do que o dos planetas pessoais, ignorar isso é dizer que todos os cinco mil anos de astrologia foram apenas “ensaio” para o momento atual. Se isso é verdade queria saber porque antes se acertava mais…

Mas sendo os planetas externos tão lentos, talvez eles não impactem diretamente o indivíduo, e sim a “história”, a humanidade em geral, em seus fluxos e refluxos. Então como encontrar a correlação ? Muita gente tentou, mas como diz o John Frawley parece que esse povo usou o “livro resumido da história com fatos relacionados apenas aos Estados Unidos”. Assim chegamos a um monte de conclusões pouco verificáveis como por exemplo Netuno surgiu na época do Romantismo, por isso deve estar ligado a esse movimento, e também as drogas, etc. (Como se não tivesse ocorrido muito mais coisa nessa época do que o Romantismo !).

Raymond Merriman, por exemplo, interpreta a atual oposição Saturno-Netuno como conflito entre realidade (Saturno) e ilusão (netuno). Também já interpretou essa mesma oposição como uma fase em que o poder constituido (saturno) age de maneira enganadora, tendo como única base o fato que esse mesmo aspecto estava em vigência na época do escândalo Watergate. Será que podemos tirar conclusões sobre a natureza desse ciclo entre Saturno e Netuno apenas de duas palavras-chaves ? Ou apenas de uma única observação de uma fase do ciclo, que pode muito bem estar ligada a fatores externos ?

A observação dos ciclos invisíveis

O ciclo mais óbvio é o da Lua, que afeta muito mais que o ciclo menstrual feminino ou as marés. É sabido que afeta desde o comportamento animal até as bolsas de valores. Mas existem outros grandes ciclos como a “confiança do consumidor”, “freqüência à igreja”, etc, que são de longo prazo. Será que os planetas invisíveis tem algo a dizer sobre os grandes ciclos da humanidade ? Muita gente achou que sim, mas o único estudo que considero mais sério é de Andre Barbault.

Barbault estipulou as seguintes regras para observar esses ciclos:

  • a natureza do acontecimento deve ser relacionada ao simbolismo do ciclo planetário
  • todos os ciclos devem ter a mesma natureza
  • os acontecimentos dentro do ciclo deve respeitar a sua natureza
  • o conhecimento desses ciclos se torna útil quando nos permite dizer algo sobre o futuro, e não apenas sobre o passado

Vamos pegar por exemplo o atual ciclo Saturno-Netuno. O primeiro ponto diz que devemos apenas nos concentrar nos acontecimentos que tem alguma semelhança com o simbolismo determinado por Barbault, e que explicamos abaixo. No caso do exemplo do Watergate, teria que se excluir esse evento, mesmo acontecendo na época correta, porque não se encaixa no simbolismo determinado. Em segundo lugar, que cada vez que o ciclo se repete, que se repita acontecimentos da mesma natureza. Se na última vez que ocorreu a oposição foi o Watergate, agora é uma queda na bolsa, e na próxima a eleição da primeira presidente mulher norte americana, o simbolismo é frouxo e pouco explicativo. Terceiro, que os acontecimentos dentro do ciclo respeitem a natureza desse ciclo. Por exemplo, se dissermos que o ciclo de Saturno-Netuno tem a ver com corrupção, então, o progresso do ciclo, com suas fases de trigono, oposição, etc, devem também estar relacionadas com os fluxos e refluxos da corrupção. O último ponto é claro… esse estudo só é válido, só encontramos correlações “reais” na medida que podemos usá-las para dizer algo sobre o futuro.

Os grandes períodos de crises mundiais

Barbault coloca que os períodos que têm uma grande concentração de conjunções dos planetas lentos (de Júpiter a plutão) são instáveis e propícios a grandes crises mundiais. No gráfico abaixo, do seu livro O prognóstico experimental em astrologia, os pontos onde há muitas conjunções são os “vales” da curva. O valor absoluto no caso não é importante, e sim o fato de ser o ponto de inflexão mínima. Veja que algumas datas de inflexão mínima são de 1914-1918 (Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa), de 29-33 (Grande Depressão e ascensão fascista), de 40-44 (Segunda Guerra Mundial) e em 55 (Guerra Fria, Guerra da Coréia).

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Acompanhando essa linha de tendência permitiu a Barbault prever que os anos 65-68 seriam de crise (inúmeros golpes de estado e crises políticas, além do famoso Maio de 68) além da crise dos 80 (a década perdida).

Para os mais dramáticos, que perguntam, e “quando vem a próxima ?”, eu não fiz um cálculo exato, mas há uma pequena concentração em 2009-2010. Só que muito menor, comparada com esses períodos anteriores.

Os ciclos de urano e Netuno

Barbault estabeleceu a seguinte lógica: Urano seria o planeta da “Direita” e Netuno da “Esquerda”. Isso provavelmente era mais claro nos anos 60 do que nos dias de hoje. Os americanos gostam de indificar Urano com “Individualismo”, e Netuno com “Coletivismo”, mas essa definição tem graves problemas, porque por ideologia os americanos fazem algumas associações expúrias, como por exemplo individualismo/indivíduo/liberdade, que não é algo verdadeiro… na história do século 20 tivemos movimentos fascistas coletivistas (Maoismo) e outros individualistas (nazismo).

A manifestação do ciclo se encontraria no planeta mais rápido, Júpiter ou Saturno. Assim, o ciclo de urano tem a ver com o desenvolvimento mais da “direita”, ou capitalismo talvez, o ciclo de Júpiter-urano dá a sua manifestação “positiva” ou harmônica, e o ciclo de Saturno-Urano dá a manifestação “negativa”, reacionária, violenta. Assim o ciclo de Júpiter-Urano fala muito sobre desenvolvimento econômico e tecnológico (assim como das crises desse desenvolvimento), e o poder capitalista mostra sua face “boa”, enquanto o ciclo de Saturno-urano retrata os momentos em que as direitas começam seus fluxos reacionários, expansivos, de violência imperialista ou totalitária.

A mesma dialética acontece com os ciclos de Netuno: Júpiter-Netuno falaria dos movimentos pacíficos, relacionados às massas e ao povo, e temos aí movimenos pelos direitos das mulheres, dos gays, liberdades civis, tratados de direitos humanos, respeito aos direitos trabalhistas, mudanças de bem-estar social (assim como a crise de tudo isso). Já Saturno-Netuno fala sobre a linha mais “violenta” dos movimentos sociais, a linha revolucionária ou radical. Quase todo o ciclo de vida da União Soviética, da publicação do Manifesto Comunista à Revolução Russa esteve ligado aos ciclos de Saturno-netuno, tanto é que Barbault previu que haveria crises na URSS com grandes mudanças em seu papel em 1953 (morte de Stalim) e 1990 (fim da URSS).

As fases dos ciclos

Os ciclos sempre se manifestam da mesma maneira: começam com uma conjunção, onde há o “nascimento” de um movimento, idéia, tratado… essa idéia cresce na fase sextil, entra em sua primeira crise de adolescência durante a quadratura, vai até a maturidade no primeiro trígono, enfrenta sua grande crise na oposição, e depois entra no ciclo de diminuição ou de maturidade da tendência no segundo trígono, etc.

Cada ciclo em especial será tratado futuramente, mas para que os leitores identifiquem o momento pelo qual estamos passando, temos os seguintes ciclos acontecendo por esse último ano:

  • Júpiter Saturno – Quadratura (2006)
  • Júpiter Saturno – Trígono (2007)
  • Júpiter Urano – Trígono (2006)
  • Júpiter Urano – quadratura (2007)
  • Júpiter Netuno – sextil (2007)
  • Saturno-Netuno – Oposição (2006-2007)

A oposição de Saturno e Netuno tem causado certos problemas na América do Sul, com a crise de identidade das esquerdas “liberais” (Brasil, Chile) e a ascensão de esquerdas tradicionais, como a de Bolivia e Nicaragua. A continuação do ciclo pode trazer problemas para Chavez. A quadratura involutiva de Júpiter com urano (e também o ciclo involutivo de Saturno e Plutão) indica que a atual fase de bonança da economia mundial e americana está no fim e a próxima crise vai sendo gestada para nascer no próximo ciclo de 2009-20010.

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