O ciclo do Sol

Posted on 10 de abril de 2007

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Uma coisa que é comum na astrologia atual é querer “relativizar os principios”. A astrologia tem princípios, como, por exemplo, que Júpiter e vênus são benéficos, mas como o povo do “eu faço como quero” não aceita nenhum princípio que não tenha saído da própria cabeça, lá vai o povo dizer que Júpiter não é benéfico, que Marte é bonzinho, etc.

O argumento principal é que Júpiter não funciona sempre como a gente quer, e por isso ele não é “benéfico”. Oras, considerando que as pessoas não conseguem sequer decidir o que querem (Eu amo ele /não amo mais/ o que ele está fazendo com aquelazinha ?) é pedir demais pro pobre planeta ficar atendendo as demandas tolas dos humanos. O fato que um planeta é benéfico não significa que ele sempre vai funcionar como você quer.

Isso “nega” o principio de que alguns planetas são benéficos e outros maléficos ? Claro que não, isso é tipico de quem não entende adequadamente os princípios, então vai “cantando conforme a música”. O fato de que um princípio deva ser contextualizado não nega o princípio: seria como uma pessoa negar o verbo porque existem advérbios.

Há vários “advérbios” que contextualizam os planetas, deixam eles mais fortes, mais fracos, melhores e piores. Um dos principais, já falamos algumas vezes: a dignidade. Mas existem um outro conjunto de fatores, chamados sect (que a minha melhor tradução seria séquito), que também influem sobre os planetas e dizem como eles estão agindo “de fato”.
Sem esses “advérbios” as pessoas não tem como qualificar se um júpiter vai agir como benéfico, como exagero, como generosidade, etc. Daí a interpretação sofre, porque a tendência dos astrólogos é, como sempre, jogar a culpa de tudo que não consegue prever no “livre arbítrio”.

Um desses fatores de contextualização é a posição dos planetas em relação ao sol, ou ciclo helíaco.

O movimento dos planetas

O primeiro ponto a esclarecer é que todos os planetas tem um movimento ao longo do ano, que segue a ordem dos signos: áries, touro, gêmeos, etc. Alguns planetas são mais rápidos que o Sol: Lua, mercúrio e vênus. Esses planetas são chamados inferiores, porque estão abaixo do Sol na chamada ordem dos caldeus. Os outros planetas (marte, júpiter e saturno) são os chamados planetas superiores e são mais lentos que o Sol. Primeiro vamos tratar dos planetas lentos, usando como exemplo Saturno.

Pense no zodíaco como uma grande pista de Fórmula 1… todos os planetas tem que dar voltas, e todos no mesmo sentido. Só que alguns são como o Ayrton Senna (a Lua), outros são um ônibus (o Sol) e outros são como sua avózinha empurrando um carrinho de compras (Saturno). É inevitável que, por mais rápido que sua avozinha ande, e quanta vantagem ela tenha na largada, o ônibus vai ultrapassar ela, quanto mais o Ayrton.

Na figura acima temos Sol e Saturno: os dois se movimentam, na representação da carta, na direção contrária ao ponteiros do relógio. E, como disse acima, Saturno é muito mais lento que o Sol, por isso eventualmente o Sol vai encontrar com Saturno (alguns meses depois), como na figura abaixo. Esse encontro é chamado “combustão“.

Durante a combustão, a proximidade do Sol não permite que se veja a olho nu a luz de Saturno (ou dos outros planetas), que ficava encoberta. Essa fase foi simbolicamente conectada com uma espécie de “morte” do planeta, que estava invisível.

Renascido do Inferno

Durante a combustão, Saturno estará perto demasiado do Sol, então não será visível durante a noite. Logo após a combustão, se poderá ver a luz de saturno pouco antes do amanhecer. Isso foi comparado no mito ao renascimento do planeta, e com ele surgia uma nova vitalidade.

Logo após sair dos raios do Sol, o planeta era chamado de oriental, e para Saturno, Júpiter e Marte essa posição dá extremo poder, por pelo menos os primeiros 60 graus de separação, depois disso o efeito vai diminuindo.

Meu planeta está oriental ?

É fácil ver se o planeta está oriental… Vamos supor que o seu Sol está no 0 grau de áries. Se o planeta, vamos dizer mercúrio, está em peixes, aquário, ou qualquer outros dos signos que vem antes de áries, então mercúrio está oriental. Se mercúrio estiver em qualquer grau de áries, touro, gêmeos, etc, estará ocidental.

Outra maneira de pensar é colocar mentalmente o Sol bem no MC (como se fosse o meio-dia). Qualquer planeta que estiver “a direita” do Sol está oriental, se estiver “à esquerda” está oriental.

No exemplo abaixo, para o dia de hoje, tente ver se os planetas Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, estão ocidentais ou orientais. A resposta está no final do artigo, não vale espiar !

Alegria de pobre dura pouco…

Os planetas lentos (marte, júpiter e saturno) continuam na sua orientalidade muito bem e obrigado até que se aproximam do trígono com o Sol. Durante essa fase eles começarão seu movimento retrógrado, ou seja, contrário ao sentido do zodíaco (de touro para áries, de gêmeos para touro, etc).

A retrogradação é considerada uma debilidade… ou seja, o planeta perde muito da força que ele tinha. Freqüentemente esse estado era comparado a de um homem doente. Um planeta retrógrado em geral pode entregar menos do que promete.

Lembre que é frequente que Júpiter e Saturno fiquem retrógrados (mais ou menos 4, 5 meses por ano), então não precisa derrubar as lágrimas. Marte é um pouco mais raro… fica seis meses retrógrado a cada 2 anos.

Após a retrogradação.

Lembre-se que o Sol é mais rápido que esses planetas, então ele continua a se mover, enquanto eles estão em movimento retrógrado, até formar a oposição e o próximo trígono, ponto em que esses planetas voltarão ao movimento direto.

Por exemplo, Júpiter entrou em movimento retrógrado no dia 3 de Abril, quando estava em 19 de SAgitário, e o Sol estava em quase trígono em 13 de Áries. Júpiter só voltara ao seu movimento direto no dia 7 de agosto, quando o segundo trígono tiver passado (Júpiter em 9 de Sagitário e Sol em 15 de Leão).

Após o período de retrogradação, teremos o período final, que os planetas lentos estarão ocidentais ao Sol. Como eles são mais lentos que o Sol, o Sol inevitavelmente encostará com eles de novo, entrarão em combustão e o ciclo começa novamente.

As fases dos planetas

Do mesmo jeito que a Lua tem suas fases, os planetas externos também… combusto, oriental, retrógrado, ocidental, e novamente combusto. Essas fases representam várias coisas, modulando de diversas maneiras o estado do planeta. Mas a principal consideração seria de sua possibilidade de agir de maneira forte e correta. Seria o famoso “estar no lugar certo na hora certa”. O planeta pode até não ter muito “talento”, mas ele tem a sorte de poder se expressar bem.

A ordem de “força” ou possibilidade de expressão do planeta é essa: a melhor posição para os planetas exteriores (marte, júpiter e saturno) é a orientalidade. Depois disso temos a posição ocidental, em terceiro já mais distante fica a retrogradação, e a fase mais “fraca” de todas é a combustão.

E os planetas interiores ?

Você provavelmente percebeu a falta de Lua, Mercúrio e vênus. Bem, esses três tem características específicas. A sua posição preferida é a ocidental.

A lua se move muito mais rápido que todos, criando as fases lunares mensais (lua cheia, lua nova, etc). A lua nunca fica retrógrada. Já mercúrio e vênus nunca podem se afastar muito do sol, então quando se afastam muito, podemos pensar de maneira simplificada que o estilingue os puxa na direção do Sol e voltam pro movimento retrógrado. Ao contrário dos planetas exteriores, mercúrio e vênus estão constantemente sob os raios do sol, ou retrógrados !

Assim em geral não consideramos a combustão tão daninha para um mercúrio, quanto seria para um marte ou saturno.

Aqui está mais uma ferramenta para o leitor adicionar ao seu arsenal, muito útil para poder qualificar os planetas e suas ações, principalmente se utilizada junto com outras armas, como a dignidade e o séquito.

Resposta do teste:

  • Orientais: Júpiter, Lua, Marte e Mercúrio
  • Ocidentais: Vênus e Saturno

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