Hyleg e Alchocoden

Posted on 11 de novembro de 2007

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Qual a fonte da vida ?

Às vezes as pessoas me mandam perguntas sobre como calcular o tempo da morte, ou sua causa, ou as doenças do natiovo. Esse é um assunto dificil de se lidar, e complicado de se fazer.

Por um lado não é uma coisa fácil. Por exemplo, se errar, já pensou nas consequencias? Já vi pessoas no orkut desesperadas porque fulano disse que elas iam morrer cedo e de morte violenta. Tá certo que em geral a pessoa não é das mais brilhantes, senão não ia acreditar em previsão de adolescente do orkut, mas vocês entenderam meu ponto. Como diria o homem-aranha, “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. E, certamente, prever a morte é a maior responsabilidade possível.

Mas também não podemos ter a atitude de “menina capricho” que acha que não se deve falar sobre morte, não por problemas éticos ou morais, mas porque é “feio” ou “mórbido”.

O hyleg é, dentro da astrologia tradicional, a fonte da sua vida. Quando ela é ameaçada ou interrompida, a vida da pessoa corre o risco de ser cortada. Assim se desenvolveu um método de se encontrar o hyleg, e uma outra coisa chamada Alchocoden, que dá uma previsão do tempo de vida do indivíduo.

O método é simples para descrever, complexo para fazer. Primeiro se acha o Hyleg, ou a fonte da vida. O planeta que for seu dispositor é o Alchocoden, que determina quantos anos o hyleg pode distribuir para você.

Alchocoden e Expectativa de Vida

Que bom, encontrar quantos anos vamos viver ! Mas será que isso funciona ?

Antes, temos que ir devagar com o ardor. Primeiro de tudo, o alchocoden nunca pretendeu dizer que dia você ia morrer ! Ele pretendia dizer qual era a quantidade e qualidade de sua força vital, e por quantos anos ela se mantinha.

Pra você entender o que eu quero dizer, posso dar o exemplo dos meus pais. Sou um nascimento da fase dos “38 “, que, 31 anos atrás, era considerado o cabo da boa esperança. Meus pais sempre foram velhinhos saudáveis, até uma certa idade. Meu pai por exemplo não tinha um cabelo branco até os 55. Minha mãe até hoje tem mais capacidade pulmonar que eu. Mas, no período de alguns meses, você percebe quando eles ficaram “velhos”. Quando uma certa vitalidade se vai, e a pessoa fica mais frágil, dependente e sofre doenças que antes nem se imaginava que poderia sofrer. Não tenho o mapa de nenhum dos dois, mas digo sempre que eles “passaram dos seus anos do alchocoden”.

Ou seja, a pessoa pode muito bem passar dos seus anos atribuidos pelo alchocoden. Mas esses anos dão a nossa garantia de vida, depois deles ficamos mais frágeis. Além disso, fatores extra-astrológicos, como dieta, estilo de vida e genética, não deixam de existir só porque estamos analisando o mapa astral.

Não lido com o conceito de “karma” que acho furado, mas os árabes já diziam que as pessoas que levam uma boa vida, de fé e boas ações, também podiam superar os anos dados pelo céu.

E o caminhão ?

E se passar um caminhão por cima de mim, amanhã ? Isso é previsto pelos meus anos do Alchocoden ?

Infelizmente não, se você não olhar para os dois lados antes de cruzar a rua, todos aqueles anos daquele alchocoden excelente vão estar todos manchando a rua de vermelho. O Alchocoden e o hyleg falam sobre a força vital, não sobre a morte.

Os antigos já falavam que se pode prever vários anos de vida para uma pessoa que morre na guerra ou de disenteria. Em termos modernos, você pode ter muitos anos de alchocoden, mas morrer atropelado ou de tiro, ou pular de um edificio.

Os anos do Alchocoden e a Expectativa de Vida

Um dos problemas levantados sempre é que o cálculo “provavelmente não funciona mais” porque a “expectativa de vida aumentou muito graças aos grandes avanços da medicina moderna”.

Ora, perdao ao Rodolphis, mas esse tipo de discurso da vitória da medicina, da ciência e do poder humano, só é isso: um discurso, que as pessoas não questionam. Vejamos algumas considerações:

As pessoas que tem hoje 80 anos, nasceram 80 anos atrás. Naquela época não havia nem aspirina, e pela maior parte da vida delas a grande parte dos avanços ainda nao existia, portanto não podem levar a glória pela vida delas.

As pessoas tem a falsa noção de que a ciência “prolonga a vida”. Quer se dar a impressão de que todo mundo, antes da década de 50, morria aos 30 anos. Mas por exemplo, William Lilly, o astrólogo inglês, morreu aos 84 anos, e ninguém nunca escreveu uma palavra sobre sua “miraculosa vida” ou acusando ele de bruxaria. Devemos supor que o fato de se atingir as 3 vintenas mais 10 não era um fato considerado assombroso.

Assim, considerando que a ciência não aumentou realmente nossa expectativa de vida, apenas retirou algumas causas que faziam com que morríamos antes (ou pelo menos as retirou no caso da classe média) como disenteria ou malária, permitindo que mais gente chegasse à velhice, mas não que ficássemos mais velhos que antes, podemos dizer com bastante segurança que a ciência não afetou os efeitos do hyleg e alchocoden.

Anos do Alchocoden e saúde

É importante não confundir os anos do alchocoden com a saúde.

Uma pessoa pode ter poucos anos do alchocoden e ter uma boa saúde. Quem nunca conheceu uma pessoa esportista, de ótima saúde, mas que morre subitamente aos 30 ? Bernadette Brady faz um exemplo com a carta de Bruce Lee, que também morreu inesperadamente e com pouca idade, mesmo estando no auge físico.

Mas é de se esperar que os efeitos do alchocoden tenham alguma manifestação na saúde em geral… os antigos falam que quando se acabam os anos do alchocoden, devemos estar atentos às direções primárias e aos retornos solares onde vemos que o hyleg está sendo atacado. Esses ataques, que antes poderiam ser apenas um inconveniente para a saúde, podem tornar-se mortíferos.

O que concorda com o senso comum de que, depois de certa idade, qualquer gripe é motivo de cuidados.

É ético estabelecer o alchocoden ?

Como disse antes, qualquer adolescente idiota da internet acha que tem o poder e o direito de dizer para os outros quando vão morrer. Mas qual deve ser a nossa posição para dizer o quanto vão viver ?

O problema maior é que nossa sociedade é imatura para realmente encarar a morte. Vivemos sobre valores adolescentes, de festas, cirurgias plásticas e Super Sweet Sexteen na MTV. Desse ponto de vista, acredito que só depois dos 50 que as pessoas realmente aprendem a pensar na mortalidade.

Como dito antes, o cálculo dos anos do alchocoden exigem cuidado e muito treino, mas a rigor não se diferenciam de nenhum outro cálculo de estimativa, como aqueles de “calcule sua idade real”. Eles são baseados apenas em estatísticas. Quanta carne você come, se fuma, se faz exercício.

Como o mapa natal é um reflexo da realidade, e não sua intepretação ou sua causa, se você vê uma mulher obesa, fumante e viciada em ataques de raiva, você sabe que ela não vai viver até os 50. É apenas provável que vá aparecer os mesmos indicadores no mapa. O poder preditivo é basicamente o mesmo. Se você não fala pra ela que ela deve parar de comer bacon, tampouco deve falar sobre hyleg.

E, se o cálculo do hyleg é demorado e complicado pra você, aqui vai uma sugestão que tem a mesma lógica, e resultados parecidos, mas sem usar astrologia: tire a média da idade com que morreram seu pai e sua mãe, e coloque isso como sua estimativa pessoal, e a partir disso decida se vai comer mais gordura ou mais vegetais.

Mas, como defendido antes, o fato é que ninguém faz esse cálculo, apesar de ser fácil e lógico. Todo mundo prefere viver com o horizonte infinito a sua frente.

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