12 pontos sobre a astrologia eletiva

Posted on 14 de dezembro de 2008

2


Chris Brennan recentemente publicou um artigo chamado 10 dicas para a astrologia eletiva. Eu resolvi comentar as 10 dicas e ainda adicionar dois pontos extras.

Para quem não sabe, a astrologia eletiva é a arte de usar a astrologia para se escolher o melhor momento para se começar um empreendimento, por exemplo uma empresa, ou um casamento.

Ponto A: Duas abordagens para a astrologia eletiva.

Brennan diz que há duas abordagens: a primeira tenta fortalecer significadores importantes da carta, por exemplo o regente do Ascendente. A segunda tenta criar uma analogia entre os elementos da carta e os da realidade. Por exemplo, apesar da retrogradação ser considerada tradicionalmente como uma debilidade, você gostaria de ter um planeta retrógrado se ele tiver analogia com a situação (por exemplo, voltar para o país de origem, etc).

Embora realmente não haja nada errado em “fortalecer” o significador, essa idéia é muito baseada no pré-conceito de que a eletiva “é apenas a astrologia horária com as regras invertidas”.

Esse ponto absolutamente não é verdade, e tenho visto muitos absurdos serem cometidos por astrólogos que se baseiam cegamente nesse princípio falso. Por exemplo, já vi várias vezes astrólogos oferecendo cartas “teste”, do tipo “adivinha o que aconteceu comigo nesse exato momento”.

Ora, vamos supor que a pessoa sofreu um choque elétrico no chuveiro. Ela vê urano ou outra coisa no MC da carta e fala “ah, é lógico”. Mas na verdade quantas milhões de pessoas não sofreram choques naquele mesmo momento ? É obviamente um absurdo.

Ponto B

Brennan estabelece que “o futuro de qualquer objeto, entidade ou empreendimento pode ser determinado examinando a carta do momento do seu nascimento”.

Isso absolutamente não é verdade. Isso contraria o “princípio da realidade” que discutimos aqui algum tempo atrás. Por exemplo, uma fábrica de garrafas produz milhões de garrafas por ano, de qualidade praticamente idêntica. É claro que vai haver acidentes, problemas, prejuízos, mas isso deve ser visto por técnicas maiores, e não na base do “minuto a minuto”. A carta do momento que uma garrafa foi feita é irrelevante para saber sua qualidade.

A conclusão lógica desse  comentário seria de que é possível ver um acidente de avião a partir do momento que o avião decola. Apesar de um número enorme de astrólogos usar essa “técnica”, apenas alguns momentos de investigação demonstrariam essa crença é falsa. Se ela fosse verdade, os aviões não parariam no céu e você teria que varrer os restos de aviões do seu quintal toda manhã.

Não sei quais são as crenças de Brennan nesse ponto. Minhas considerações são um aviso para o leitor se proteger da quantidade de absurdos voando pela internet.

Ponto 1- o momento mais significativo

Esse é um ponto que sempre levanta muitas dúvidas… qual é o momento que devemos eleger ? Por exemplo, vou abrir um website. Escolho o momento em que me registro ? O momento que compro o domínio ? O momento que coloco no ar ? O que é mais importante, casamento no civil ou no religioso ? O momento em que tiro o registro da empresa ou que abro as portas ?

O próprio fato de existirem tantas dúvidas mostra para mim que nós astrólogos não temos uma teoria de porque a eletiva funciona. Acarta natal é a carta do nascimento de uma pessoa e sabemos que ela funciona e como funciona. A carta horária é a carta de uma pergunta e tem suas próprias regras. A carta eletiva não temos muita idéia de quais são suas regras e nem qual é o momento em que o empreendimento “começa a existir”.

Na dúvida minha sugestão é sempre seguir os atos mais pragmáticos (por exemplo, início da produção de uma fábrica, abertura das portas de um comércio) e os “atos de fala declarativos” (vocês agora são marido e mulher, etc).

Por exemplo, não importando se a cerimônia de posse presidencial começa atrasada ou adiantada, ou a que horas Obama diz “eu juro”, o fato é que a partir do meio dia da data de inaguruação, ele é o novo presidente. Se a cerimônia atrasa, e as 12 e 15 ainda não terminou, e acontece um ataque terrorista, o serviço secreto vai proteger a Obama, não a Bush. Do mesmo jeito, se você passou pelo juiz, e ele registrou o seu casamento, esse ato é suficiente. A cerimônia no religioso pode ser elegida também, mas eu acho preferível preocupar-se com o casamento no civil, principalmente se ele vem primeiro.

Ponto 2 – ache períodos em que um planeta está digno

Brennan sugere que, para começar, um bom processo seria escolher os períodos em que um planeta está digno, ajudando assim a diminuir o número quase ilimitado de opções.

Não concordo muito por dois motivos. O primeiro é que isso pode diminuir o seu número de opções muito rapidamente. Por exemplo, se você decide que para casar, você necessita de vênus em touro, peixes ou libra, você de cara reduziu todas as suas opções de um ano a apenas 3 meses em média. Ou seja, você pode “peneirar” demasiado e acabar apenas com datas muito ruins usando apenas um fator de seleção. Isso sem falar que, às vezes, se pode passar meses sem ter um planeta digno.

Meu segundo motivo é que na prática tenho visto que dignidade acidental é mais importante que a essencial para a maioria das coisas. Entre uma vênus retrógrada e outra em queda em virgem, eu prefiro a vênus em queda.

Ponto 3 – evite ter um planeta aflito

Exatamente o que eu dizia acima. Evite momentos em que o planeta está retrógrado, em quadratura ou oposição com maléficos, combusto, etc (a não ser que eles tenham analogia com a situação).

Por exemplo, quando você quer fazer coisas escondidas, é ótimo que a maior parte dos planetas na carta estejam combustos ! Se você quer fugir no meio da noite, escolha uma lua nova, com a maior parte dos planetas abaixo do horizonte ou combustos ou cadentes. Aqui o planeta combusto tem analogia com “invisível” e não é uma debilidade, é um ponto positivo.

POnto 4 – assegure que o senhor do ascendente está bem posicionado

Nada de errado com isso. A dúvida, como sempre, é se esse é um fator realmente tão importante a ponto de superar outras considerações. Entenda que a eletiva, assim como a política, é a “arte do possível”. Você não pode esperar 5 anos até poder se casar, já vai estar pensando em divórcio até lá. Se você quer colocar o regente do ascendente na sua casa 11, o seu ascendente vai acabar na casa 8 do mapa natal. Se você espera até ele estar em trígono com júpiter, a lua vai estar em escorpião, etc.

Na prática, a única maneira de se ter o regente do ascendente bem posicionado e digno, num tempo razoável, seria colocar o ascendente em câncer e a lua em touro na casa 11.

Ponto 5 – concentre-se nos aspectos aplicativos (que se aproximam)

Nada errado aqui… aspectos que estão separando podem ser ignorados em eletiva. A exceção é quando você quer se livrar de alguma coisa. Por exemplo, se você quer parar de fumar, um bom momento seria com a lua separando de marte (regente de vícios e do tabaco especialmente). Se você quer começar uma dieta, uma possibilidade seria a lua separando de vênus ou júpiter (que tem analogia natural com doces e gordurinhas) e aplicando para os maléficos (que geralmente são magros – lembra da expressão “ele é magro de ruim”?).

Continua para o próximo domingo…

Artigos relacionados

Anúncios
Posted in: astrology