12 pontos – parte 2

Posted on 21 de dezembro de 2008

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lua

Aqui a continuação do nosso artigo 12 pontos sobre a astrologia eletiva, comentando as 10 dicas de Chris Brennan.

Ponto 6 -a importância da lua

Novamente temos que nos cuidar da diferença entre astrologia horária e eletiva. Tenho minhas próprias teorias sobre a importância da lua, mas não vamos discutir elas agora. Basta dizer que várias eleições não são realmente passíveis de ter um “horário”. Exatamente em que momento “estréia” o filme de Harry Potter, que abre simultâneamente em 50 países ? Vamos usar a carta de Los Angeles ? Por que se o filme pode fazer mais sucesso na Rússia ?

Para plantar uma sementinha, será que realmente importa plantá-la as 3 da tarde ou as 10 da manhã? A importância de muitas coisas, como na agricultura, parece estar relacionada muito mais à lua do que a um ascendente que o astrólogo, de maneira mais ou menos arbitrária, tenta estabelecer.

Acredito que temos um problema de “nomenclatura”: não temos os conceitos adequados para se falar sobre as técnicas existentes, como por exemplo as mansões da lua. Algumas técnicas se referem ao produto daquele evento, por exemplo, a felicidade do casamento ser derivada do momento do casamento. Outras técnicas se referem ao próprio evento e seu desenvolvimento. Por exemplo escolher um bom momento para uma festa.

Eu uso o conceito de Energeia e ergon do velho Humboldt para diferenciar os dois, mas isso fica para outro dia.

7 – a lua indica o começo da ação, e o seu dispositor o resultado

Eu nunca tinha ouvido essa regra antes, mas ela parece coerente com a lógica de “forma/matéria” dos gregos. O jeito é investigar. O problema novamente é que isso limita muito as possibilidades de você escolher um momento para seus empreendimentos, qualquer momento!

As pessoas ignoram quanto tempo demora até um planeta estar em um estado mediano. Quando você tem um planeta digno e sem aflições, os antigos corriam para fazer talismãs numa tentativa de “guardar” as boas energias no bolso, de tão raras que elas são.

8 – Planetas regendo ou dentro da casa associada com a eleição devem ser fortalecidos

Exatamente o problema que mencionei no parágrafo anterior ! É por isso que considero a parte eletiva de “astrologia restaurata” do astrólogo renascentista RAmesey, como um livro quase inútil, apesar de ser considerado a “Bíblia” do gênero por muitos desavisados. Aparentemente Ramesey nunca praticou astrologia, e era um compilador, assim como Ptolomeu. Então seus conselhos são absolutamente pouco práticos.

Por exemplo, para mandar uma carta (ou hoje em dia um email) você colocaria digno e sem aflições o senhor do ascendente (você), o senhor da casa 3 (a carta), a lua (como regente das mensagens), possivelmente mercúrio e o senhor da casa 7( a outra pessoa – se for para seu pai seria a casa 4, para seu chefe a 10, etc.)

Sabe quanto tempo você teria que esperar para enviar uma carta nessas condições ? Eu calculo uns cinco anos para conseguir uma eletiva meia-boca. Logo se vê que o velho Ramesey nunca mandava cartas, muito trabalho, e a pessoa já tinha morrido até lá.

Como eu disse no artigo anterior, para a grande maioria dos períodos de tempo possíveis, você tem que usar a lua, porque ela é o planeta mais rápido de todos, e é a unica que vai ir para um signo de dignidade num período aprazível. Então aqui você tem a escolha de colocar o planeta digno para representar você ou o assunto no qual você está interessado. Mas raramente vai conseguir os dois. Oh, dúvida cruel.

Isso sem falar que, todo esse papo de dignidade acaba esquecendo de outros fatores, como a recepção. Muito melhor a lua se aplicando a saturno a partir de aquário, que a partir de câncer !

9 – Preste atenção ao sect do planeta

Sect, divisão, seita ou séquito, como eu prefiro, não importa a tradução, é a divisão dos planetas entre diurnos e noturnos. Eu pessoalmente não vejo muita lógica nessa regra. Como praticamente todas as eletivas são diurnas, marte sempre vai ser o maléfico mais perigoso de acordo com essa teoria, e sempre terá que ser jogado numa casa cadente. Parece bom na teoria e pouco prático na prática.

10 – coloque o regente do ascendente na casa do assunto

Por exemplo, coloque o senhor do ascendente na casa 9 para uma viagem, na casa 4 para visitar seus pais, na casa 10 para fazer uma entrevista de trabalho.

Novamente deveríamos refletir sobre as diferenças entre horária e eletiva. O que exatamente estamos fazendo ? O regente do ascendente na casa 9 é análogo a viagens. Mas por outro lado, se fôssemos seguir as regras de horária, seria preferível ter o regente da 9 na casa 1.

Nada é fácil nessa vida.

Conclusões

Apesar de não haver nada fundamentalmente errado no artigo, eu quis colocar meus pontos para notar que é muito mais difícil de se fazer uma eletiva do que seguir o livro de regras. Eu acho que a astrologia eletiva é o sistema mais frágil dentro do ocidente, principalmente devido à dificuldade de se verificar se uma regra funciona realmente. Se em horária, que podemos ver os resultados rapidamente, um monte de gente propagandeia regras absurdas, imagina em eletiva, onde nunca podemos saber qual foi a influência isolada do mapa astral sobre as circunstâncias existentes ?

Mas eu acho de nota que o equivalente na astrologia védica da eletiva, a Muhurta, usa um conjunto de regras total e completamente separado da astrologia horária !

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