Review: The Art of Forecasting uning Solar Returns

Posted on 11 de janeiro de 2009

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9781902405292m

Minha opinião curta e grossa:

fiquei extraordinariamente decepcionado com esse livro. O livro recebeu uma série de críticas muito favoráveis, de que era um ótimo livro sobre Retorno solares, mas para mim é tudo “hype”, modismo. O livro é de qualidade, no máximo, mediana, e o que chama mais interesse para o astrólogo tradicional, que são as partes relativas a Morin e outros autores antigos, é superficial e cheia de vícios de astrologia moderna. Para um astrólogo moderno, é até uma boa compra, porque a maioria dos livros de Retorno solar são absolutamente horríveis e mal escritos, e há pouquíssimas opções (mas mesmo assim, eu sugiro o livro de Nance McCullough que é muito superior, e é de astrologia moderna). Para o astrólogo tradicional, é uma perda de dinheiro (principalmente considerando os custos em dólar).

Atenção: se você não sabe o que é um retorno solar, um bom local para começar é aqui: Como calcular a revolução solar.

Descrição rápida do livro:

O livro, mais que ser um manual, pretende ser uma leitura “neutra” de diversos autores, como Volguine, Morin, Shea, Merryman, etc. Analisando em cada capítulo um autor, o livro pretende, ao final, ser uma síntese “do que funciona” e dar uma visão ampla do método.

O livro começa com a análise de Volguine, basicamente da comparação do RS a partir da interposição do Ascendente da RS com as casas do mapa natal. Por exemplo se o ASC da RS está na casa 8 natal, os temas da casa 8 serão trazidos à tona. Para os gringos, é até importante uma análise de Volguine, mas nós brasileiros temos a tradução do francês disponível há vários anos. Eu comprei a minha cópia faz muito tempo, por uns 10 reais num sebo. Procurando na internet, você acha o pdf em espanhol. (Fofoca: um “importante astrólogo brasileiro” oferece um curso de Retornos Solares que nada mais faz que copiar os dois primeiros capítulos de Volguine. Meu conselho é poupe seu dinheiro e compre o livro que é muito mais barato).

Depois discute as “polêmicas” no método: usar a localidade natal, onde a pessoa nasceu, ou o lugar onde ela está durante seu RS. Usar a forma normal ou a com “ajuste de precessão”. Essa parte do livro é tão decepcionante que vale um comentário adicional abaixo.

Depois Anthony Louis publica alguns aforismos de Morin, astrólogo renascentista francês, que também colocou como pedra fundamental de seu método a comparação entre mapa natal e RS. Primeiro problema é que todos esses aforismos estão publicados na internet. Segundo é que o livro muito fala, mas pouco aplica. Afinal, Louis é um astrólogo moderno, e ele fica tão encantado cada vez que encontra um mercúrio em semiquadratura com plutão, que fica cego a centenas de outras indicações que nunca escapariam a Morin. Thomas dá exemplos de como uma série de aspectos e ativações nos mapas analisados são totalmente ignoradas em nome de um aspecto dos transaturnianos ou outros conceitos modernos, de origem duvidosa, como o “ponto da morte”.

Por último, se concentra nos astrólogos modernos, Merriman, Shea e Eshelman. Essa parte me pareceu totalmente desnecessária, porque ou eles repetem o que já foi dito em outras partes do livro, por autores mais antigos, ou incluem coisas que simplesmente não funcionam. O livro de Shea principalmente, é de péssima qualidade, e só serve para os que se contentam com as previsões mais vagas possíveis, e apenas de cunho emotivo. Coisas do estilo como “você vai sentir sua individualidade desafiada durante o período” abundam entre os Sheanos.

Pior problema do livro

O pior problema do livro é, sem sombra de dúvida, a atitude moderna de “todos estão certos”. Nada está errado, tudo é válido, todos os caminhos levam a Roma. Isso é bonito para os astrólogos que não consideram a astrologia um método, um conhecimento, e sim uma opinião, uma “intuição”, uma brincadeira que qualquer um pode fazer, sem precisar se esforçar ou estudar. Mas na prática, todos os caminhos não levam a Roma. Porque na prática uma pessoa está saudável ou doente. Ela se divorcia ou se casa, mas ela não faz tudo ao mesmo tempo.

O livro defende que o RS usando o local de nascimento funciona. Mas o local de residência funciona também. O autor recomenda usar o RS sem precessão. Mas adivinhe: usar a precessão funciona também ! Uau ! E que tal usar uma RS conversa (ou seja, ao invés de usar seu trigésimo aniversário, +30, você usa o aniversário -30, ou seja, 30 anos antes do seu nascimento) ? Claro, porque elas funcionam também e “podem dar indicações muito úteis”.

Qual é o problema com esse tipo de atitude ? O livro tenta se vender como um método preditivo. Quando você está tentando fazer previsões, o maior problema é dizer o que não vai acontecer. Você pode dizer que o “ano vai ser de muitas mudanças”, ou que novos relacionamentos vão aparecer. Isso é fácil, dá para fazer em alguns minutos. O que é difícil, e dá realmente trabalho, é olhar e dizer: “você não vai morrer esse ano”. O grau de certeza depende de muitas e muitas análises de fatores.

Já estudei várias linhas de astrologia e a brincadeira de “todas as cartas funcionam” é boa para quem já sabe o resultado e pode olhar a carta depois do fato, e dizer “viu como funciona?”. É claro que, para muitos astrólogos, isso é considerado como adequado, mas eu espero que o leitor do blog tenha padrões mais altos. Mire na lua para atingir uma águia, mire na águia para atingir o seu próprio pé.

Finalmente:

O problema do livro não é ser de astrologia moderna, e sim de usar uma versão travestida de astrologia tradicional, já que o autor se dispõe a usar o método de Morin e Volguine, e acaba usando apenas a versão “light”.

Os astrólogos, tanto modernos quanto tradicionais, na minha opinião, podem disfrutar muito mais do livro de Nance, com o link acima, que é um livro de astrologia totalmente moderna. Para ter uma idéia, a autora só usa urano, netuno e plutão como “regentes” de aquário, peixes e escorpiao. Mesmo assim o livro é sério e conciso, tem foco preditivo, e não cai no espírito de “todo os lados estão certos, vamos unir as mãos e cantar”. A autora é muito séria nesse sentido: nas primeiras páginas dá ao leitor suas escolhas (usa sempre o local do nascimento, usa o sistema de casas iguais, usa o zodiaco tropical, portanto sem precessão) e o leitor que decida seguir essas diretivas ou não. Outra vantagem é que o livro é muito mais barato.

No geral o livro me pareceu uma compilação meio superficial, com várias referências feitas à internet, mas sem nenhuma referência a livros mais difíceis de se encontrar como o livro de Abu Mashar, “on Solar Revolutions” ou aos trabalhos de Valens.

O livro vai até atrair vários leitores, e pelo que tenho ouvido, muita gente ficou muito contente com o livro. Mas imagino que seja gente que está tendo contato pela primeira vez com as idéias de Volguine e Morin, então acaba tendo a idéia de que o livro oferece uma “chave” para a leitura das RS. Mas, para quem já está na estrada faz tempo, é apenas uma refeição requentada e com mais marketing que conteúdo.

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