Hinos órficos

Posted on 24 de setembro de 2011

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Os hinos órficos são poesias dedicadas às divindades gregas. Os hinos são muito utilizados na magia astrológica e tem um certo ar de equivalência com os mantras usados na astrologia védica.

Já falamos do tema antes e eu publiquei minha tradução do hino órfico de mercúrio, hino da lua e de marte.

Mas nunca terminei porque, sinceramente, dá muito trabalho.

Por isso que é bom ter alunos esforçados! A Irene do curso de introdução traduziu os hinos órficos, e como era uma pena deixar no curso perdido, decidimos colocar no blog.

Abaixo está a versão em inglês, e a tradução tentativa. Quem tiver uma sugestão para melhorar a rima ou métrica, por favor coloque um comentário.

[12] XII. TO SATURN [KRONOS]

The Fumigation from Storax.
Etherial father, mighty Titan, hear, great fire of Gods and men, whom all revere:
Endu’d with various council, pure and strong, to whom perfection and decrease belong.
Consum’d by thee all forms that hourly die, by thee restor’d, their former place supply;
The world immense in everlasting chains, strong and ineffable thy pow’r contains
Father of vast eternity, divine, O mighty Saturn [Kronos], various speech is thine:
Blossom of earth and of the starry skies, husband of Rhea, and Prometheus wife.
Obstetric Nature, venerable root, from which the various forms of being shoot;
No parts peculiar can thy pow’r enclose, diffus’d thro’ all, from which the world arose,
O, best of beings, of a subtle mind, propitious hear to holy pray’rs inclin’d;
The sacred rites benevolent attend, and grant a blameless life, a blessed end.

Fumegar Estoraque [benjoim]
Pai celeste, poderoso Titan, ouça, grande fogo dos deuses e homens, a quem todos reverenciam:
Forneça com diversos conselhos, puro e forte, a quem a perfeição e o declínio pertencem.
Extinguível por ti todas as formas que morrem a cada hora, por ti reintegrados, ao seu local primordial;
O imenso mundo em prisões eternas, forte e inefável teu poder contém,
Pai da incomensurável eternidade, divina, ó poderoso Saturno [Kronos], várias vozes são tuas:
Flor da terra e do céu estrelado, marido de Rhea, esposa de Prometeu.
Natureza obstétrica, raiz do venerável, a partir do qual várias formas brotam;
Nenhuma parte específica pode teu poder encerrar, todas difundem de ti, a partir do qual o mundo se levantou,
Oh, o melhor dos seres, de uma mente sutil, favoravelmente inclinado a ouvir divinas preces;
Atendendo benevolente os ritos sagrados, e concedendo uma vida irrepreensível, um fim abençoado.

[14] XIV. TO JUPITER [ZEUS]

The Fumigation from Storax.
O Jove much-honor’d, Jove [Zeus] supremely great, to thee our holy rites we consecrate,
Our pray’rs and expiations, king divine, for all things round thy head exalted shine.
The earth is thine, and mountains swelling high, the sea profound, and all within the sky.
Saturnian [Kronion] king, descending from above, magnanimous, commanding, sceptred Jove [Zeus];
All-parent, principle and end of all, whose pow’r almighty, shakes this earthly ball;
Ev’n Nature trembles at thy mighty nod, loud-sounding, arm’d with light’ning, thund’ring God.
Source of abundance, purifying king, O various-form’d from whom all natures spring;
Propitious hear my pray’r, give blameless health, with peace divine, and necessary wealth.

Fumegar Estoraque [benjoim]
Oh honorífico Júpiter [Zeus] sumamente grande, para ti consagramos nossos ritos sagrados,
Nossas preces e penitências, divino rei, pois todas as coisas em volta de tua cabeça exaltam brilho.
A terra é tua, e as montanhas elevadas, o mar profundo, e tudo dentro do céu.
Saturno [Kronion] rei, descendente do alto, magnânimo, comandante, te confere o cetro Júpiter [Zeus];
Todo-poderoso princípio e fim de todas as coisas, cujo poder onipotente, estremece esta esfera terrestre;
A Natureza treme ao teu poderoso comando, alto-som, armado com um raio, trovão de Deus.
Fonte de abundância, rei purificador, várias formas fonte de toda a natureza;
Auspicioso ao ouvir a minha reza, dar saúde irrepreensível, com a paz divina, e riqueza necessária.

[64] LXIV. TO MARS [ARES]

The Fumigation from Frankincense.
Magnanimous, unconquer’d, boistrous Mars, in darts rejoicing, and in bloody wars
Fierce and untam’d, whose mighty pow’r can make the strongest walls from their foundations shake:
Mortal destroying king, defil’d with gore, pleas’d with war’s dreadful and tumultuous roar:
Thee, human blood, and swords, and spears delight, and the dire ruin of mad savage fight.
Stay, furious contests, and avenging strife, whose works with woe, embitter human life;
To lovely Venus [Kypris], and to Bacchus [Lyaios] yield, to Ceres [Deo] give the weapons of the field;
Encourage peace, to gentle works inclin’d, and give abundance, with benignant mind.

Fumegar Olíbano
Magnânimo, invencível, impetuoso Marte, em mordaz regozijo, e em guerras sangrentas,
Indomável e feroz, cujo vigosoro poder pode fazer tremer as mais fortes paredes de suas fundações:
Mortal rei destruidor, maculado de sangue, deleitado com terrível guerra e estrondosos rugidos:
A ti, sangue humano, e espadas, lançam prazer, e a lúgubre ruína de insensata luta selvagem.
Permanece, furiosas contendas, e vingativas disputas, cujas obras de aflições, amargam a vida humana;
Rende-te a encantadora Venus [Kypris], e a Baco [Lyaios] para Ceres [Deo] dar as armas do campo;
Incentive a paz, para gentis obras, e dê abundância, com bondosa disposição.

[7] VII. TO THE SUN [HELIOS]

The Fumigation from Frankinsence and Manna.
Hear golden Titan, whose eternal eye with broad survey, illumines all the sky.
Self-born, unwearied in diffusing light, and to all eyes the mirrour of delight:
Lord of the seasons, with thy fiery car and leaping coursers, beaming light from far:
With thy right hand the source of morning light, and with thy left the father of the night.
Agile and vig’rous, venerable Sun, fiery and bright around the heav’ns you run.
Foe to the wicked, but the good man’s guide, o’er all his steps propitious you preside:
With various founding, golden lyre, ‘tis mine to fill the world with harmony divine.
Father of ages, guide of prosp’rous deeds, the world’s commander, borne by lucid steeds,
Immortal Jove [Zeus], all-searching, bearing light, source of existence, pure and fiery bright
Bearer of fruit, almighty lord of years, agil and warm, whom ev’ry pow’r reveres.
Great eye of Nature and the starry skies, doom’d with immortal flames to set and rise
Dispensing justice, lover of the stream, the world’s great despot, and o’er all supreme.
Faithful defender, and the eye of right, of steeds the ruler, and of life the light:
With founding whip four fiery steeds you guide, when in the car of day you glorious ride.
Propitious on these mystic labours shine, and bless thy suppliants with a life divine.

Fumegar Olíbano e Maná [Ambrosia] = erva-de-santa-maria?
Ouça Titan de ouro, cuja eterna percepção com ampla visão, ilumina todo o céu.
Autônomo, incansável na difusão de luz, e para todos os olhos reflexos de prazer:
Senhor das estações do ano, com o teu carro de fogo e corcéis saltitantes, radiante luz distante:
Com tua mão direita a fonte de luz da manhã, e com a esquerda o pai da noite.
Ágil e vigoroso Sol, venerável, ardente e brilhante movimento em torno do Firmamento.
Inimigo dos ímpios, mas orienta o bom homem, sobre todos os seus passos dirigindo favoravelmente:
Com vários iniciados, lira dourada, és meu para encher o mundo com divina harmonia.
Pai das eras, guia de ações prósperas, comandante do mundo, conduzido por lúcidos corcéis,
Júpiter imortal [Zeus], tudo penetra, portando luz, fonte de existência, genuíno brilho ardente
Portador de frutas, todo-poderoso senhor de anos, agil e quente, a quem todo poder reverbera.
Grande visão da Natureza e do céu estrelado, destinado com chamas imortais a se por e ascender
Aviando justiça, amante do fluxo, maior soberano do mundo, e supremo sobre todos.
Defensor leal, e o olho direito [correto], regente dos cavalos, e da luz da vida:
Com o chicote iniciático quatro cavalos de fogo você guia, quando no carro do dia você monta glorioso.
Propicie nesses trabalhos místicos brilhar, e abençoe vossos suplicantes com uma vida divina.

[54] LIV. TO VENUS [APHRODITE]

A Hymn.
Heav’nly [Ourania], illustrious, laughter-loving queen, sea-born, night-loving, of an awful mien;
Crafty, from whom necessity [Ananke] first came, producing, nightly, all-connecting dame:
‘Tis thine the world with harmony to join, for all things spring from thee, O pow’r divine.
The triple Fates [Moirai] are rul’d by thy decree, and all productions yield alike to thee:
Whate’er the heav’ns, encircling all contain, earth fruit-producing, and the stormy main,
Thy sway confesses, and obeys thy nod, awful attendant of the brumal God [Bakkhos]:
Goddess of marriage, charming to the sight, mother of Loves [Eortes], whom banquetings delight;
Source of persuasion [Peitho], secret, fav’ring queen, illustrious born, apparent and unseen:
Spousal, lupercal, and to men inclin’d, prolific, most-desir’d, life-giving., kind:
Great sceptre-bearer of the Gods, ‘tis thine, mortals in necessary bands to join;
And ev’ry tribe of savage monsters dire in magic chains to bind, thro’ mad desire.
Come, Cyprus-born, and to my pray’r incline, whether exalted in the heav’ns you shine,
Or pleas’d in Syria’s temple to preside, or o’er th’ Egyptian plains thy car to guide,
Fashion’d of gold; and near its sacred flood, fertile and fam’d to fix thy blest abode;
Or if rejoicing in the azure shores, near where the sea with foaming billows roars,
The circling choirs of mortals, thy delight, or beauteous nymphs, with eyes cerulean bright,
Pleas’d by the dusty banks renown’d of old, to drive thy rapid, two-yok’d car of gold;
Or if in Cyprus with thy mother fair, where married females praise thee ev’ry year,
And beauteous virgins in the chorus join, Adonis pure to sing and thee divine;
Come, all-attractive to my pray’r inclin’d, for thee, I call, with holy, reverent mind.

Celestial [Ourania], ilustre, sorridente-amorosa rainha, nascida do mar, amante da noite, de sublime semblante;
Astuciosa, necessidade [Ananke] de quem veio pela primeira vez, produzindo, à noite, senhora de toda união: é teu o mundo para juntar com harmonia, pois toda a primavera vem de ti, ó poderosa divina.
As três Parcas [Moiras] são regidas pelo teu decreto, e todas as criações submentem-se a sua semelhança;
Qualquer que seja o céu, circundando tudo que contêm, terra produzindo frutos, e o tempestuoso mar,
Teu domínio reconhece, e obedece a teu aceno de cabeça, servente terrível do Deus hibernal [Bakkhos]:
Deusa do casamento, charmosa à vista, mãe da Paixão [Eortes], quem se deleita com banquetes;
Fonte de persuasão [Peitho], mistérios, rainha favovita, ilustre nascimento, visível e invisível:
Nupcial, Festeira [Lupercal = Festas dos antigos romanos em honra do deus Pã, celebradas em 15 de fevereiro de cada ano], e inclinada aos homens, fecunda, a mais desejada, vivificante, amável:
Grande portadora do cetro dos Deuses, são teus, os mortais que necessitam se unir;
E toda classe de terríveis monstros selvagens em cadeias mágicas para unir, através de louco desejo.
Venha, nascida em Chipre, e para minha reza se incline, quer exaltada no Céu a brilhar,
Ou se deleitando no templo da Síria, ou sobre as planícies egípcias guiando teu carro,
Modelada a ouro; e perto de seu sagrado oceano, fértil e célebre para acomodar a tua abençoada morada;
Ou se regozijando-se às margens azuis, perto de onde o mar com ondas de espuma ruge,
Os coros dos mortais circundando, o teu prazer, ou belas ninfas, com olhos brilhantes da cor do céu,
Se delitando pelas margens pulverizadas de renomado ouro, para conduzir teu rápido, carro com dois jugos de ouro;
Ou se em Chipre, com tua justa mãe, onde mulheres casadas louvam-te a cada ano,
E belas virgens se juntam ao coro, Adonis puro para cantar e o divino;
Vem, toda-atrativa para minha reza se inclinar, por ti, eu chamo, com santa, mente reverente.

[27] XXVII. TO MERCURY [HERMES]

The Fumigation from Frankincense.
Hermes, draw near, and to my pray’r incline, angel of Jove [Zeus], and Maia’s son divine;
Studious of contests, ruler of mankind, with heart almighty, and a prudent mind.
Celestial messenger, of various skill, whose pow’rful arts could watchful Argus kill:
With winged feet, ‘tis thine thro’ air to course, O friend of man, and prophet of discourse:
Great life-supporter, to rejoice is thine, in arts gymnastic, and in fraud divine:
With pow’r endu’d all language to explain, of care the loos’ner, and the source of gain.
Whose hand contains of blameless peace the rod, Corucian, blessed, profitable God;
Of various speech, whose aid in works we find, and in necessities to mortals kind:
Dire weapon of the tongue, which men revere, be present, Hermes, and thy suppliant hear;
Assist my works, conclude my life with peace, give graceful speech, and me memory’s increase.

Fumegar Olíbano
Hermes, se aproxime, e para minha reza se incline, anjo de Júpiter [Zeus], e o filho divino de Maia;
Estudioso de debates, o governante da humanidade, com onipotente coração e uma mente prudente.
Celestial mensageiro, de habilidade diversas, cujas poderosas artes poderiam matar o vigilante Argus:
Com pés alados, para seu percurso através do ar, Oh amigo do homem, e profeta do discurso:
Grande defensor da vida, para o teu regozijo, em artes de ginástica, e em fraude divina:
Com poderoso dom para explicar a linguagem, de assistencia a liberdade, e a fonte de vantagem.
Cuja mão em paz contém o inocente bastão, Corucian, abençoado, lucrativo Deus;
De expressões diversas, cuja ajuda nos trabalhos encontramos, e nas necessidades de tipo mortais:
Terrível arma da língua, que os homens reverenciam, esteja presente, Hermes, e o teu suplicante ouve;
Assiste minhas obras, conclui a minha vida com paz, dá-me voz graciosa, e aumente minha memória.

[8] VIII. TO THE MOON [SELENE]

The Fumigation from Aromatics.
Hear, Goddess queen, diffusing silver light, bull-horn’d and wand’ring thro’ the gloom of Night.
With stars surrounded, and with circuit wide Night’s torch extending, thro’ the heav’ns you ride:
Female and Male with borrow’d rays you shine, and now full-orb’d, now tending to decline.
Mother of ages, fruit-producing Moon [Mene], whose amber orb makes Night’s reflected noon:
Lover of horses, splendid, queen of Night, all-seeing pow’r bedeck’d with starry light.
Lover of vigilance, the foe of strife, in peace rejoicing, and a prudent life:
Fair lamp of Night, its ornament and friend, who giv’st to Nature’s works their destin’d end.
Queen of the stars, all-wife Diana hail! Deck’d with a graceful robe and shining veil;
Come, blessed Goddess, prudent, starry, bright, come moony-lamp with chaste and splendid light,
Shine on these sacred rites with prosp’rous rays, and pleas’d accept thy suppliant’s mystic praise.

Fumegar Aromáticos
Ouve, Deusa rainha, difundindo luz prateada, porta-voz e viajante através da escuridão da noite.
Cercada com estrelas, e com amplos giros pela noite estendendo sua tocha você passeia;
Feminino e masculino com raios emprestados você brilha, e agora cheia, agora tende a declinar.
Mãe das eras, Lua produtora de fruto [Mene], cuja órbita de cor âmbar faz a noite refletir o meio-dia:
Amante de cavalos, esplêndida, rainha da Noite, que tudo vê enfeitada com luz estrelada.
Amante de vigilância, inimiga da discórdia, em paz se rejubila, e uma vida prudente:
Justa lâmpada da Noite, seu ornamento e amigo, que confere ao trabalho da Natureza seu destino final.
Rainha das estrelas, salve todas as esposas Diana! Adornada com gracioso manto e véu brilhante;
Vinde, bendita Deusa, prudente, estrelada, brilhante, vem luar sonhador com luz casta e esplêndida,
Brilhe sobre estes ritos sagrados com prosperos raios e com prazer aceite teu suplicante em louvor místico.

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