episthemologie

Eventos em Julho 2009

6 Julho, 2009 · 4 Comentários

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Novamente entramos na temporada de eclipses. Começando com o lunar, amanhã, teremos tres eclipses nos próximos 30 dias:

  • eclipse lunar 7 de Julho (lua em 15 Capricornio)
  • eclipse solar 22 de julho (29 Cancer)
  • eclipse lunar em 6 de agosto (lua em 13 aquário)

Como você já sabe lendo o blog, os eclipses têm a explicação astrológica de ser a lunação (lua cheia ou nova) onde os luminares (sol e lua) estão conjuntos aos maléficos nodos norte e sul. Na mitologia da astrologia hindu, os nodos eram um grande dragão imortal, que foi cortado em dois pelos deuses. As duas partes, mesmo separadas, não podem morrer, e para se vingar, correm sempre atrás do sol e lua. Mas o eclipse não dura muito tempo, afinal de contas o dragão cortado não pode “digerir” os luminares engolidos e o ciclo recomeça.

O que esse eclipses podem trazer para a astrologia mundana, que é a astrologia dos países, dos grandes eventos naturais e políticos?

Astrometeorologia

Eclipses tem a fama de causar perturbaçoes, tanto meteorológicas quanto sísmicas, além das políticas e pessoais. Como se isso não bastasse, o eclipse de amanhã está ainda perto dos pontos do solstício, ou seja, a lua está perto de sua máxima declinação sul. Isso geralmente afeta as massas de ar de um hemisfério mais do que a do outro, segundo os astrometeorólogos.

O eclipse de 22 de Julho é ainda mais preocupante desse ponto de vista, pois o eclipse acontece no periélio, ou seja, no ponto de maior aproximação da lua à Terra. Normalmente uma simples lua cheia no periélio já é considerada um alerta para tempestades e possíveis furaçoes e até terremotos. Se espera que um eclipse no periélio aumente ainda mais a possibilidades dos extremos de clima. O astrólogo Richard Nolle tem preocupaçoes semelhantes à minha para os dois eclipses. Ele crê que a janela de impacto para o eclipse de 22 vai desde o dia 15 de julho até o 29.

Eventos atuais – Honduras e México

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Dois países estão tendo eventos políticos importantes. Honduras sofreu um golpe e está ainda em total e completo caos de legitimidade. México teve eleições legislativas e governamentais esse domingo. Poderão ser afetados?

Nao confio muito em mapas de “fundação de países”. Nao era esse o procedimento dos antigos. Mas de qualquer jeito achei um mapa para Honduras com ascendente em 27 Capricornio, e outro para México com ascendente em 17 Cancer.

Corografia

Corografia (khŏros- “lugar” + -graphein-”escrita”) é o nome da atribuiçao antiga de países a signos. É claro que, infelizmente, a maior parte dos paises atuais nao existia na época! As atribuições antigas para Câncer incluem Armênia, Trácia, Bretânia, certas partes da ásia que hoje seriam da China e partes da Africa.

Usando corografia moderna, da qual nao me responsabilizo, temos cancer como sendo Escócia, Holanda, Paraguai, Estados Unidos, Nova Zelândia. Curiosamente México está listado como um dos países regidos por Capricórnio.

Brasil e Sarney

Segundo Getúlio Bittencourt em “A luz do Céu profundo”, Sarney teria o Ascendente em 23 de touro, onde venus e marte tem brincado nas últimas semanas.

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Sarney – 24 abril 1930 – 7h30, Pinheiro (MA).

Na verdade eu diria que Sarney foi mais afetado pelo último eclipse lunar (que caiu bem no seu MC) do que pelo atual. Eu vi no twitter da Barbara Abramo que ela acredita que o eclipse trará a queda de Sarney, mas a mim parece que o ponto principal já passou. Talvez ela esteja observando o aspecto do eclipse a Saturno natal, mas eu costumo olhar apenas os contatos com os pontos higélicos, ou entao a gente teria contato dia e noite! Para mim afetaria mais a Roseana, que tem o ascendente em 13 de Cancer, segundo o mesmo Bittencour.

No momento não tenho o menor tempo para fazer uma análise completa do caso Sarney. A quem interessar que use os dados disponibilizados.

Astrologia Visual

Usando a astrologia visual de Bernadette Brady, a tendência é que um eclipse lunar que tenha a lua se pondo (portanto a oeste) geralmente é um mal testemunho para líderes desses países. O eclipse será apenas marginalmente visível na maioria desses três países, então eu não sei o grau de efeito que ele terá. Mas especulo se no México isso não possa significar a derrota do atual governo, que ficará com um congresso de oposição.

No mapa do eclipse para américa latina, saturno estará debaixo da terra e invisível, marte estará alto no céu, ainda com vênus, e com a participaçao de Júpiter nos céus. Essa configuração nos trouxe o golpe em Honduras, e em México, e talvez em Brasil, possivelmente representa uma derrota para o Rei, com Júpiter (o príncipe) se aliando a marte para derrubá-lo.

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Crie seu próprio oráculo

29 Junho, 2009 · Deixe um comentário

waterscrying

Como eu prometi, aqui vai um artigo que tenta mostrar “na prática” as possibilidades e limitações na criação de um oráculo.

Eu estou me baseando num artigo da revista Rendering the Veil, mas esse artigo foi tirado do ar, e não tenho uma cópia, e a editora da revista me respondeu dizendo que ela não tem previsão de quando vai poder restaurar os arquivos da revista, então fica por assim mesmo e eu tento fazer um pouco de memória, um pouco improvisando.

Então vamos brincar um pouco e fazer um oráculo com moedas. Por que moedas? Porque elas são simples (caras ou coroas), estão amplamente disponíveis, você pode usar elas em qualquer lugar sem precisar escondê-las, são resistentes, etc.

Primeira Tentativa – que tipo de moedas?

A primeira tendência é o que eu chamo de “fetichismo”. A moeda é usada para trazer a verdade. Portanto a moeda é mágica, ela é especial, ela que “fala”. Precisamos de uma moeda especial e protegê-la com cuidado.

Desse raciocínio que aparece certas crendices por aí. Por exemplo o povo que acha que o tarot é mágico, que só se toca com tal mão, que só se lê em tal hora do dia, etc. Nenhuma dessas “regras” faz sentido, são superstições que a pessoa cria por si mesma, e que geralmente acabam limitando sua própria leitura.

Mas a moeda é apenas uma moeda, o tarot é apenas papel, os dois foram criados por um fabricante industrial, nenhum dos dois tem mérito por si só.

Segunda tentativa – vamos criar atributos

A maneira mais lógica e simples é convencionar um atributo.

Como o atributo é arbitrário, não há o aspecto “divino” da divinação, e o método não é nada mais que uma brincadeira.

Nessa categoria temos o “bem me quer, mal me quer”, o “se a pedra derrubar aquela lata é porque ela me ama”, ou “cara ou coroa – se der cara é porque eu vou conseguir o emprego”.

Os jogos que tem um conjunto fechado de mensagens arbitrárias também nao estao longe disso. Aqui temos o biscoito chinês e os americanos têm a chamada “Magic 8 Ball” que, ao sacudir a bola, te dá uma entre 8 mensagens prévias do tipo “sim”, “é provável”, e “jogue outra vez”.

Outro exemplo é fazer um jogo de 2 dados, com significados arbitrários como (esse método eu peguei do mago MOloch):

03 resultados inesperados mas favoráveis
04 Desapontamentos
05 Algo que você deseja virá para você
06 problemas em assuntos de negócios
07 problemas com fofocas
08 Fortes influencias exteriores
09 Amor, harmonia e reconciliaçao
10 Nascimentos, promoções e novos começos
11 separação de pessoas amadas
12 uma carta de boas notícias
13 resultado infeliz
14 ajuda de amigos ou um conhecido se torna um amigo 
15 cuidado, evite tentações
16 bom sinal para viagens
17 mudança de planos
18 Felicidade e sucesso

A mesma coisa se aplica ao povo que joga I ching da maneira moderna, que é basicamente ler um parágrafo e buscar por sabedoria (sim, os dez mil livros que você leu sobre I ching estão errados, não é assim que se joga na China). Isso não é muito diferente da Magic 8 Ball ou de ler um pedacinho da Bíblia por dia buscando sabedoria. Às vezes isso pode trazer algo útil, mas geralmente a resposta vai ser algo como “o homem que carrega todos os seus ovos numa cesta deve ter medo da grande cegonha vesga”. Alguém pode até achar algo útil aí na sua pergunta sobre crescimento espiritual, mas é pouco provável que responda a algo mais mundano, sobre amor ou se as ações da bolsa vão subir.

Então precisamos procurar atributos que sejam menos arbitrários. Como eu expliquei antes, para mim a melhor maneira é conectar nosso oráculo a uma determinada cosmologia, ou visão ou modelo do universo espiritual, do que atribuir um significado arbitrário para cada número de um dado.

Terceira tentativa – vamos apelar aos números

O segundo problema é que o processo de divinaçao deve ser suficientemente amplo para poder responder a uma grande série de perguntas, e dar uma grande série de respostas. Sistemas de respostas convecionais raramente podem fazer isso.

Bem, a primeira tentativa foi usar uma moeda e chegar a um simples “sim” ou “nao”, como dito acima, isso é bem arbitrário. Mas o pior é que é muito limitado em sua descriçao do mundo. A grande maioria das situaçoes não são limitadas apenas em um sim/não. Há um monte de “talvez”, “mais ou menos” e “depende” no mundo. Isso torna o sistema de cara/coroa muito ruim.

Poderíamos melhorar um pouco sistema, adicionando mais moedas. Assim, por exemplo, se tivéssemos cinco moedas, todas dizendo “sim”, seria um “sim” muito forte, e o resto daria mais um “talvez”, ou “provávelmente sim”.

Apesar de ser uma melhora em relaçao a um simples cara e coroa, e algumas pessoas gostarem pelo espiríto quantitativo de nossa era, eu acho um sistema muito pobre, que apenas “tapa com a peneira” o problema fundamental de falta de um simbolismo mais amplo.

Por exemplo, se transformamos o sistema de sim/nao para um do tipo masculina/feminina, já temos um pouco mais de “margem de manobra”.

Por exemplo, 4 caras, ao invés de representar um “total sim”, pode representar uma situaçao de “energia masculina” que pode ser benéfica para uma questao sobre carreira, e ruim para uma sobre amor.

Quarta tentativa – Cosmologia – eu também quero uma para viver

Bem, então vamos procurar uma “cosmologia” para representar nosso oráculo. Necessitamos um “acima” para representar o nosso “abaixo” para poder formar o famoso “o que está acima é como o que está abaixo”. Uma representaçao material do modelo espiritual.

Vamos usar apenas quatro moedas no nosso exemplo, mas poderíamos ampliar ou diminuir esse número.

Quatro moedas iguais? Nao, melhor quatro diferentes, assim podemos usar elas para representar diferentes coisas. Por exemplo, uma moeda de 10, 25, 50 centavos, e uma de 1 real.

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Agora vamos atribuir significados a elas. Mesmo que seja um pouco artificial, vamos usar a escala de valores das moedas, para dá-las um significado qualitativo que possa ser útil na maioria das situaçoes. Por exemplo, a moeda de 25c vamos chamar de I, porque vai representar o indivíduo que pergunta. A moeda de 10c pode ser coisas (C)que sao naturalmente inferiores a ela, como subordinados, propriedades, etc. A moeda de 50c vai representar o outro (O), que geralmente vai ser um amigo, inimigo, associado, etc. A moeda de 1R vai representar o que está acima do indivíduo, como por exemplo autoridades, governo, etc (P de poder).

Já temos um mini-sisteminha de divinaçao em nosso oráculo. Vamos supor que a pergunta fosse “vou ganhar uma promoçao”, poderíamos usar a moeda de 25c, I, e ver se ela é cara (+) ou coroa (-). Ganhar uma promoçao é uma pergunta do tipo ativa (+). Entao se o número de moedas for mais ativo, melhor, mas principalmente se as moedas relacionadas ao tema (I e P- poder) forem (+) também. Se nao o forem, poderíamos supor que o Indivíduo nao está fazendo o necessário, porque a moeda I é (-), ou seja, está fraca, ou porque o emprego realmente nao tem uma vaga para promover a pessoa, por exemplo a moeda P está fraca (-).

Ok, já temos um modo de atribuir um tema a cada moeda, e temos uma maneira rudimentar de atribuir força a cada moeda. Vamos complicar um pouquinho mais.

Vamos pegar uma folha de papel, e dividir em quatro partes iguais. A cada parte vamos atribuir a um dos quatro elementos. Por exemplo, as partes de baixo podem ser para os elementos frios, água e terra, a parte de cima para os elementos quentes, fogo e ar. Agora vamos jogar as moedas sobre a folha e ver onde elas caem.

Vamos supor que uma moeda de 25c (I) caiu no quadrante de fogo. Entao o indivíduo está representado por fogo. Pode ser que ele esteja impulsivo, ativo, explosivo, dinâmico. Se a qualidade do elemento é expressa de  maneira positiva ou negativa poderia depender da moeda ser (+) ou (-). Se a moeda está no quadrante de água, que é naturalmente (-), mas a moeda está na modalidade (+), entao o individuo (I) expressará as qualidas mais negativas do elemento água.

Isso também estabelece relaçoes entre as moedas. Vamos supor que a moeda (I) caiu no quadrante de terra. Qualquer moeda que caia no quadrante de ar será inimiga da moeda (I) e trabalhará no seu contra. 

Um exemplo poderia ser algo como “vamos namorar?”, quer seria uma pergunta (-)

E o resultado das moedas:

10c (C) – (+) água

25 c (I) – (-) terra

50c (O) – (+) água

1R (P) – (-) ar

Daí teríamos o seguinte: nosso foco principal seria nas moedas I e O, representando o casal, respectivamente. I é (-) numa pergunta (-) entao tem força, está seguro do que quer e pode conseguir. Seu ambiente é terra, que é naturalmente (-). Ou seja, tem força para conseguir o que quer e tem uma boa qualidade.

Já O é (+) numa pergunta (-). Talvez nao esteja tao interessado, está preocupado com suas próprias coisas, etc. Além disso, está num elemento contrário (já que água é passiva). Nada bom, provavelmente é uma pessoa problemática, apresentando os defeitos do elemento água, por exemplo preguiça e excesso de emocionalismo.

Agora vemos que a moeda P, de poder. Como ela é de ar, ela é contrária a moeda I, de terra. Ela é uma moeda (-) num elemento (+), ou seja, ela é de má qualidade. Uma moeda de má qualidade num elemento inimigo é a pior situaçao possível. Talvez represente que o pai da outra pessoa (P) vai estar contra o relacionamento.

E é isso. Antes que “viajemos” mais ainda, espero que dê para entender quando eu digo que as regras oraculares nao sao totalmente arbitrárias, pois o seu simbolismo representa um macro-cosmo.

E, depois de tudo isso, das regras e postulados estarem prontos, agora é que entraria a parte de jogar mesmo, e ver quais sao as regras que surgem, como discuti no artigo sobre Emergencia.

As regras por, mais arbitrárias que possam parecer, desde que unidas a esse macro-cosmo, quando forem aplicadas ao nosso micro-cosmo material, abrirá caminho para as regras emergirem. Esse, afinal de contas, é o aspecto divino da “divinaçao”.

Por exemplo, poderia surgir uma regra de que se todas as moedas forem (+), num elemento (+), mas a pergunta for (-), mesmo assim a resposta será sempre um “sim”, etc. Sao as regras que nao tem nada de natural nelas e que só se percebe com a prática.

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Breves notas sobre as direçoes primarias

23 Junho, 2009 · 12 Comentários

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Viktor Michailowitsch Wasnezow “The warrior at the crossroads”

Se você não sabe o que são direções primárias, procure nossos artigos sobre Direções no blog. Nesse artigo faço pequenos comentários sobre as direções, e os mitos e erros que surgiram em torno delas.

1 – Primárias sao muito, muito, muito difíceis.

Não, não são. O que falta é didatismo. O didatismo vem da falta de claridade, que por sua vez vem da parte dos “especialistas” não dominarem muito o assunto, então terem um monte de vácuos no conhecimento que faz com que seja mais seguro “nublar” o tema, do que discutir ele claramente.

Além disso dois fatores influem. O primeiro é que, depois de Placidus cada um quer inventar o seu próprio sistema, e adicionar uma complicação. O segundo fator é que a maioria dos astrólogos não tem a menor idéia de como funciona o movimento dos céus, porque o povo dificilmente tira os olhos do computador, e os céus são cada vez mais encobertos.

2 – As primárias sao o melhor sistema de previsao em astrologia

Podem até ser, o que não significa que você precisa delas. Há vários outros sistemas, como timelords, profecçoes, firdaria, etc. Diferencie o marketing de quem quer vender cursos e livros do conteúdo verdadeiro. Os hindus não usam direções primárias e sabem prever muito bem.

Outra coisa, para nós pobres mortais que moramos na região tropical, a diferença entre usar uma direção primária e uma de arco-solar pode ser ínfima!

3 – as primárias acertam o dia exato dos acontecimentos

mentira deslavada de quem quer se colocar como “otoridade”. Todas as nossas fontes apontam que as primárias 1 – apontam o “sabor” de grandes períodos de tempo, assim como as firdaria e outros timelords; e 2 – quando elas apontam para eventos, elas marcam um período largo, como 1 ano. Morin mesmo dizia que só se devia considerar as primárias dentro da promessa de um retorno solar.

4 – as verdadeiras primárias eram de Ptolomeu

mais ou menos. O que acontece é que o sistema grego antes de Ptolomeu era muito “simbólico”, e do ponto de vista matemático, primitivo. A astrologia de ptolomeu é capenga na maioria dos pontos, mas a matemática dele era a mais sofisticada do tempo.

Mesmo assim, o modelo de ptolomeu ainda era um pouco “nas coxas” e só foi realmente aprimorado com os árabes, que realmente inventaram a trigonometria esférica. Foi por isso que os árabes viraram os grandes navegadores da sua época. Magalhães, Vasco da Gama, todos contratavam a navegadores árabes, que eram os únicos que realmente podiam guiar-se em mar aberto.

Para se ter uma idéia, basta lembrar que na época dos gregos não havia o zero. Difícil fazer cálculos sem esse numerozinho mágico.+

5 – As verdadeiras direçoes de Ptolomeu são as direções de Placido in mundo

Mentira óbvia que Placido inventou para validar seu próprio sistema. Desculpe, mas é assim.

Para quem pegou o bonde andando, há dois tipos de direção, in zodiaco e in mundo. A primeira dirige os pontos no zodiaco, a segunda dirige a real posição dos planetas na esfera celeste.

Basta ler ptolomeu para ver que ele dirigia os pontos do zodíaco, e ele sequer tinha a matemática para dirigir a posição dos planetas in mundo. Também ele não escreveu nada que dê a entender que ele estava “quebrando um galho”, mas que o método correto seria outro.

Os árabes e os medievais também dirigiam em zodíaco. Basta ver que os pontos a dirigir (com exceçao da Lua) estao todos na eclípitica: Sol, parte da fortuna, ascendente, SAN e Lua.

6 – Cada sistema de casas determina as direçoes. Assim podemos achar o sistema de casas “correto”

Quando se usa direções in mundo, realmente o sistema de casas determina os aspectos, já que não há um maneira lógica de dizer quando dois planetas estão em quadratura ou oposição. Isso não é um impedimento para as direções in zodiaco.

Então cuidado com o povo que diz que Placidus é o “verdadeiro” sistema de casas, porque é o único com que se pode fazer direçoes primárias. É uma mentira dentro de um erro dentro de um exagero. As primárias não precisam ser feitas em mundo, não precisam ser feitas com o sistema placidus, e placidus criou seu sistema num entendimento errado de Ptolomeu.

7 – Se as primárias in mundo nao eram usadas, e as zodiacais com latitude

Na minha opiniao é pior ainda, porque é uma quimera juntando dois bichos diferentes

8 – Com as primárias podemos retificar a data de nascimento até os segundos

Tem um monte de astrólogo moderno que adora esse conceito. Bem, deixemos eles brincarem o quanto quiserem, mas na tradiçao os indicadores astrológicos sao analisados em escalas… do grande nível, das grandes épocas da vida, até o cotidiano. Entao o sistema que sempre foi usado na astrologia tradicional, ia “descendo pelas escalas”, por exemplo, primárias, firdaria, profecções, revoluçoes solares, até chegar aos trânsitos, coitadinhos, para tentar localizar o evento.

Do mesmo jeito que não era usado para dizer a data até o dia, as primárias não podem corrigir a data de nascimento abaixo de um certo nível de precisão.

Claro que tem um monte de gente que jura de pés juntos que eles acertam até a cor das meias que você vai usar em agosto de 2015. Mas eles nunca fazem previsões públicas, preferindo contar histórias de seus inumeráveis sucessos e milhões de clientes satisfeitos. Como conheço bem o tipo que conta essas histórias, prefiro então enxergar meu ceticismo como natural e saudável.

9 – “Eu uso direçoes conversas e elas funcionam tao bem quanto as diretas”.

Nao existem direções conversas, ou seja, contra o sentido do tempo. Por muito tempo se acreditou que sim, mas a investigação de fontes tradicionais mostra que mesmo na renascença não existia esse conceito. Foi um erro dos autores do século 19.

10 – é muito dificil representar as primárias no computador

Mentira. Isso vem do mito 1, de que elas são horrivelmente esotéricas e difíceis, combinados com o problema do povo que quer usar primárias in mundo. As primárias são razoavelmente simples, são na verdade muito parecidas com as direções de arco solar, com as quais os astrólogos estão mais acostumados.

O arco solar é um processo totalmente simbólico. Digamos que você tenha a lua em 10 de Capricórnio. Você vai andar com a sua lua um grau por ano (um pouco menos, mas sejamos claros) entao depois de 20 anos sua lua vai “mudar” para aquário. A idéia é que todos os planetas são dirigidos na mesma velocidade que o movimento simbólico do sol.

As primárias são muito parecidas na sua representação, o que muda é o conceito. Imagine que sua lua em 10 de capricórnio esteja parada exatamente no meio do céu. Agora, ela está parada, e o zodíaco atrás dela continua  a se mexer. Então, depois de um tempo o signo de aquário vai chegar até a sua Lua que ficou “parada”, enquanto o zodíaco se “movia”.

Assim, na prática, as primárias se movem na mesma direção que as de arco-solar. Tem várias “otoridades” que disseram que as primárias se moviam contrárias ao zodíaco, mas isso não é verdade.

Entao, você pode imaginar sua lua se movendo de capricórnio a aquário, depois a peixes. Só nao se esqueça que na verdade é o zodíaco que está se movendo, e sua lua está paradinha.

11 – Diferenças entre arco solar e primárias

Eu pessoalmente considero o arco solar como direções simbólicas usando a chave de Naibod (o movimento de 0d59m como um ano de vida). Toda a explicação do movimento do sol me parece mais é papo. Deixando isso de lado, para os pobres mortais que vivem na região entre os trópicos de câncer e capricórnio, principalmente os que nasceram nas latitudes mais baixas, a diferença entre uma direção simbólica e uma primária vai ser beeeeeem pequena.

Já para quem nasceu em grandes latitudes, uma distancia simbólica de 30 graus, pode se tornar 10, 45, ou 50 anos em primárias.

12 -Nenhum software calcula primárias, por isso você deve comprar meu curso

Solar Fire calcula uma coisa totalmente diferente.

Janus aparentemente calcula bem (basta voce programar para primárias em zodiaco, sem latitude), MAS ele inverte quem é significador e quem é promissor, e fica tudo muito confuso, e como se nao bastasse, alguns pontos simplesmente desaparecem no meio…. uma zona.

Por enquanto eu voto no programa Morinus, que além de tudo é gratuito, e vem com o aval com algumas das melhores autoridades do gênero, como Martin Hermes e Steven Birchfield.

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Exageros gregos

17 Junho, 2009 · 16 Comentários

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Muita gente acha que a astrologia tradicional “sempre esteve aí”. Nada mais lógico, afinal de contas, ela é “tradicional”.

Mas nada mais errado. A maioria dos astrólogos modernos nao conhece livros que tem mais do que uns vinte anos no máximo. Tem gente que tem a pachorra de chamar de “clássico” livros que nao tem nem 40. E, esses livros “clássicos” por sua vez nunca leram os verdadeiros clássicos da astrologia.

Alan Leo, por exemplo, obviamente leu alguns dos clássicos, mas as pessoas que consideram Leo um “clássico”, nao leram nenhum dos trabalhos antigos de astrologia.

Às exceçoes geralmente sao pessoas que leram Ptolomeu (que está de graça na internet) e erroneamente acham que Ptolomeu é um representante da astrologia tradicional (ele nao é). Ou entao algumas pessoas que deram uma leitura superficial em Morin, e, erroneamente, acham que ele é a última bolacha do pacote e que inventou tudo o que diz. Nao, nao inventou.

Na verdade, um dos trabalhos clássicos mais divulgados hoje em dia, A Astrologia CRista, de William Lilly, só voltou a ser republicado nos estados unidos nos anos 80. Antes disso, era item de colecionador. Nessa mesma época, surgiu o projeto Hindsight que começou a traduzir trabalhos originais. Hoje em dia, graças aos tres Roberts, Schmidt, Hand e Zoller, a astrologia tradicional fez um grande resurgimento, para o desgosto do povo que acha que a casa 12 é a da espiritualidade e tudo na sua carta pode ser resolvido olhando-se a Quiron.

No entanto, a traduçao de uma série de importantes trabalhos gregos tem causado um efeito colateral, o exagero. Acho que é normal, cada movimento vai até sua conclusao lógica, e depois um pouco além dela, até que o exagero começa a reverter. Mas acredito que seja importante ressaltar, para que a gente nao caia nessas armadilhas.

A Palavra sagrada é a que temos

Sendo um dos trabalhos mais antigos em astrologia, as pessoas tem a tentação de ver como palavra sagrada. Se algo veio depois, com certeza foi erro de tradução.

Essa é uma conclusão um pouco precipitada demais. O argumento geralmente dado é do tipo “os árabes não tinham o livro 5 de Valens” ou algo parecido. Bem, podiam não ter, mas não temos a menor idéia de que outros trabalhos escritos eles tinham que não temos hoje em dia, ou que tipo de conhecimento foi passado oralmente, de professor a estudante, e nunca chegou a via escrita.

Por exemplo, Ptolomeu não é citado por ninguém, e não cita a ninguém. Se só tivéssemos a Valens, nunca saberíamos que Ptolomeu existiu, e vice-versa.

A proposta de que temos o conjunto central do pensamento grego, pode até ser verdadeira, mas me parece pretensiosa demais para ser confiada.

Tudo o que veio depois dos gregos é de origem grega

Falso, mas já vi esse tipo de raciocínio várias vezes. Por exemplo, vi a seguinte discussão num fórum, mantida por dois helenistas modernos…

A firdaria é uma técnica que divide a vida da pessoa em fases, regidas pelos planetas, e por sub-fases. Para encontrar a sub-fase, basta dividir o período por 7 partes iguais. A discussão é que, se nos basearmos nas técnicas gregas, isso obviamente está errado, já que os gregos sempre dividiam as fases em partes desiguais.

Só tem um probleminha nesse raciocínio… a firdaria vem da astrologia persa, e não tem nenhuma indicação que tenha vindo da astrologia grega. Por que diabos usaríamos um princípio grego? Ainda mais para chegar à conclusão de que o método está “errado”?

O método de divisão da vida em fases da astrologia hindu é chamada de Dasas. As dadas se baseiam nas nakshatras que não tem nenhum equivalente na astrologia grega. Embora o “espírito” das Dasas se encontre na astrologia grega, é muito diferente dizer que o método está “errado” porque não concorda com o que achamos em algum livro grego.

Tudo o que veio antes dos gregos também é de origem grega

Parece absurdo, mas recentemente numa discussão, um conhecido helenistico declarou que as exaltações, que pelo que se sabe são de origem babilônica, são na verdade gregas, “porque se encaixam demasiado bem no sistema grego para ser coincidência”.

Por exemplo, as exaltações combinam bem com o esquema grego conhecido como “Thema Mundi”.

É claro que seria muito mais lógico dizer que os gregos criaram o sistema do thema mundi para adaptar o sistema babilônico, mas às vezes é mais fácil adaptar a história…

“Isso é grego para mim”

Para entender astrologia grega é preciso falar grego?

Cada vez mais os helenísticos estão caindo numa armadilha perigosa… cada palavra tem que ser exatamente igual ao original em grego, ou então ela “perde o sentido”. E dá-lhe zoidia, moiria, peripetese, oikodespotes, heimarmene, tuche… E ai de quem confundir o destino heirmarmene do destino moiria!

É claro que eventualmente isso vira apenas um código para saber quem é membro do clube. Já existe um conjunto de palavras na astrologia, e elas não vão mudar. Se a palavra atual “signo” nao representa mais o que os gregos queriam, bem, azar, mas a palavra astrológica continua “signo”. Uma explicação do contexto original valeria um ótimo adendo, ou uma nota de rodapé, agora querer mudar a palavra é obviamente uma leviandade.

Principalmente quando, apesar da curiosidade histórica, a mudança de nome nao afeta nosso conhecimento astrológico. Ele nao nos leva a diferentes conceitos ou práticas, ou seja, nao melhora nosso entendimento. Mudar de “Lua” para “Selene”, apenas tem sentido de dizer que somos do grupo de iniciados. Pior do que isso, induz ao erro de pensar que os planetas estão ligados de alguma forma a mitologia dos deuses gregos e romanos!

Uma simples frase como “os senhores da triplicidade do signo de Aquário são Saturno, mercúrio e Júpiter, que devem estar em signos cadentes” pode tornar-se algo abominável como “os senhores dos ventos da Imagem do Derramador das águas são Cronos, Hermes e Zeus, que devem estar em signos que não estejam se afastando do horoskopos.”

E, novamente, você não aprendeu nenhuma astrologia com todo esse novo “vocabulário”. Só demora a leitura e cria desnecessário tecnicismo.

Mas, novamente, tem gente que adora.

Signos Inteiros

Eu adoro signos inteiros e uso eles faz vários anos, mas novamente surgiram exageros.

A primeira tentação, é óbvio, é de falar que os sistemas de casas por divisão (o que estamos acostumados, como Placidus, regiomontanus, alchabitius) estão errados. Nao, não estão. Funcionam, e a maioria das interpretações baseadas em casas (que vemos em autores posteriores, como Bonatti, Morin, Lilly) só funcionam usando sistemas de divisão.

Você pode notar que apesar dos sistemas de signos inteiros usar os significado das casas, eles raramente mencionam o planeta como regente, preferindo se concentrar nos seus significados naturais.

Agora, também tem o povo por exemplo que decidiu, por puro gosto, que o correto era usar astrologia horária com signos inteiros! Isso é taaaao errado em pelo menos tres níveis!

1 – A horária NAO foi inventada pelos gregos, e portanto não tem nenhum motivo para se usar signos inteiros. Foi inventada muito tempo depois.

2 – A horária foi inventada por astrólogos que usavam casas sim, e usavam um sistema mixto, misturando os dois sistemas. Mas, no caso de Mashalah, apesar dele não mencionar as cúspides das casas, sabemos por outros trabalhos que ele usava alchabitius. Nas horárias sobre a casa 19 ele usa o MC, nunca usa o décimo signo.

3 – a horária é o nosso sistema menos “idealista” e mais “pés-no-chao”. A materialidade cria certas características das horárias: por exemplo um planeta numa casa é muito menos importante que o regente dessa casa, procedimento inverso ao da astrologia natal. Do mesmo jeito, as pequenas diferenças da cúspide das casas são pequenas em natal, mas essenciais em horária.

Sect

Sect ou séquito (palavra tentativa) é o conceito de que há duas “facções” planetárias… a solar e a lunar. O sect solar consiste do sol, júpiter e saturno. O lunar é formado pela lua, venus e marte. Mercúrio não pertence a nenhum lado, e geralmente vai variando de posição de acordo com a carta. É um conceito muito importante e tenho utilizado por vários anos.

A primeira vez que eu percebi que o conceito estava ficando “fora de controle”, ou seja, sendo exagerado e deturpado, foi quando uma conhecida helenistica respondeu que achava que preferia muito mais um marte em câncer (marte está em queda em câncer) do que um marte durante o dia (marte, para uma carta diurna, é considerado como sendo mais maléfico porque está contrário ao seu sect, que é noturno).

Ora, vamos ver. Marte está diurno metade do dia. Metade das pessoas têm um marte diurno, porque nasceram durante o dia.

Marte demora, em média, dois anos e meio para dar a volta ao redor do zodíaco. Entao, na média, esperamos que fique uns 2 meses em câncer, ou seja, 1/12 das cartas, terão marte em câncer.

Só com isso já se vê que há algum problema nessa lógica! Que o sect é importante, não há dúvida, mas como ele repentinamente foi eleito como o mais importante fator para determinar a maleficidade de um planeta? Quer dizer que você prefere ter um marte em câncer na 8, durante a noite, que um marte em áries na 11 durante o dia? Bem, bom pra você.

Isso leva a outros exageros na parte prática. Veja uma eletiva por exemplo. Todos os helenisticos que já vi fazendo eletivas, sempre tem marte em casa cadente! Como quase tudo que se faz durante a vida tem que ser durante o dia, marte sempre será o grande inimigo porque está fora de sect! Entao a solução é sempre colocar ele em casa cadentes!

O problema com eletiva, é que se você “ajusta” uma coisa, você perde outra. Se você decide, a priori, que marte tem que estar cadente, dai você vê algumas dessas eletivas, que o quadro geral parece péssimo, mas o autor fica contente porque marte estava cadente….

Por mais que seja importante o conceito de sect, ele tem que ser temperado por outros fatores na carta. As metáforas que foram apresentadas até agora, como por exemplo a dos “partidos políticos” são limitadas, já que uma carta astral se comporta de maneira bem diferente do sistema partidário norte-americano.

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Emergência

10 Junho, 2009 · 1 Comentário

divination

Como dizia na semana passada, o símbolo responde a convenções pessoais, mas os significados atribuídos a ele não podem ser contrários ao significado maior e mais profundo, que foi atribuído histórica e culturalmente ao longo do tempo.

Mas não são todos os significados atribuídos ao símbolo, em última análise, também arbitrários? Por exemplo atribuir vermelho a marte, é uma característica universal do símbolo, ou é cultural e limitada no tempo e espaço?

É verdade que  que os significados atribuidos a cada símbolo sao sim, arbitrários, culturais e temporais. Se a cor vermelha no ocidente foi associada a marte, ao sangue, à paixao, à guerra, ela também foi associado à Júpiter e à Realeza (vermelho era o pigmento mais difícil de se conseguir, e basicamente só estava disponível para os reis e os muito ricos).

Como o mago Jason Miller diz, para um mago tibetano o vermelho estaria associado com magia de influência e encantamento, para um Haitiano a nação Loa, para um feiticeiro vodu seria magia sexual, etc. Atribuições de cores, direções, certos símbolos, podem ser considerados como “âncoras” que ligam o mago ao seu sistema e tradição de magia.

No entanto, Jason Miller também lembra que essas âncoras tem sim poder e uma existência real dentro da esfera do mago. Ele conta a experiência de um conhecido, que usava frequentemente o ritual da escola Golden Dawn, de invocaçao das energias planetárias de Júpiter, o ritual do hexagrama. Só que o sujeito estava ficando cada vez mais deprimido e introvertido, e isso porque o fulano estava fazendo o ritual errado, invocando o hexagrama de saturno e nao o de júpiter.

Ora, considerando que o ritual é relativamente novo e arbitrário, e que a única diferença entre o ritual de júpiter e de saturno é a maneira como se traça um hexagrama no ar, o resultado é bem importante. Como eu disse antes, se convenções pessoais funcionassem tao bem, ninguém errava, e todo iniciante bobo seria mestre. Mas a experiência com astrologia, tarot e mesmo magia mostra que não é assim.

O que é a emergência?

Para entender esses processos, acho importante entender o conceito de  emergência. Vamos analisar um sistema de signos que não é nada místico: a matemática.

Responda primeiro à seguinte pergunta: a matemática é “descoberta” ou “inventada”?

A resposta é que é um pouco das duas. A matemática é composta por conjunto de regras, feitas de maneira razoavelmente arbitrária, criadas por uma matemático em algum momento. Por exemplo regras de transformaçao de simetria criam a teoria dos grupos.  Basicamente se cria um conjunto de signos, e relaçoes entre signos, e operações sobre esses signos.

Por exemplo, você pode criar coisas que são aparentemente desprovidas de qualquer sentido, como o número imaginário, i, que é a raiz quadrada de -1, que não tem solução nos números reais. A partir do momento que você cria um novo conjunto de números, chamados complexos, dos quais os números reais sao apenas um subconjunto, os matemáticos começam a descobrir relações a partir desses números. Note que não há motivo para que isso resulte em nada útil, mas acaba sendo. Nao há motivo para que esses números imaginários tenham qualquer aplicaçao no mundo real, mas eles tem.

A partir de convençoes e relaçoes definidas mais ou menos arbitrariamente, uma série de leis e relaçoes podem surgir espontaneamente, na forma de padroes e leis, e essas relaçoes nao sao criadas pelo matemático… é muito mais exato dizer que elas sao descobertas.

Esse surgimento espontâneo de relações, padrões ou ordem a partir de um conjunto pequeno de relações simples é chamado de emergência. Do mesmo jeito que a emergência existe em sistemas orgânicos complexos, também existe na matemática e nos sistemas divinatórios.

Note o padrao que é necessário para termos o que chamo de emergência:

1- um sistema feito de partes simples e de suas relações entre as partes, que são, até certo ponto, arbitrárias, apesar de no sistema divinatório ele está sempre vinculado a uma filosofia mística.

2 – esse sistema, ao ser trabalhado na prática, e não apenas no blá-bla-bla, tem certas propriedades autônomas que são “descobertas” e não criadas. Por exemplo, no tarot, a carta da Torre representa queda e fracasso, mas depois de algumas experiências você descobre que, em situações rigidas e sem esperança, o surgimento da torre na primeira posição significa o rompimento do ciclo de fracasso.

3 – veja que essa propriedade da Torre é descoberta. Ela não é algo que você viu no livro. Mas também não é algo que você colocou como uma mera convenção pessoal.

Agora entenda melhor o meu postulado do artigo da semana passada: uma convenção pessoal nao pode, por natureza, quebrar as convenções mais “universais”, seja do tarot, da astrologia, do i ching, porque a própria maneira de ler o sistema divinatório depende de regras que emergem naturalmente, mas que estão ligadas a essas convenções arbitrárias. Mudou uma parte, mudou todas as partes.

Por isso que as pessoas que mudam uma parte de um sistema, por exemplo as que acham que a casa 8 na astrologia é boa, ou que ignora as casas negativas do feng shui, ou que lê o I Ching como se fosse um livro de conselhos e poesia, está mudando o sistema integralmente. Você não pode usar plutão como “regente” de escorpião, e depois querer usar as regras normais da astrologia tradicional, por exemplo. Você não pode ficar usando bobagens como o “canto do amor” e depois dizer que está usando feng shui. Você já está usando uma versão mutilada e bastarda.

“Esse processo de emanação é inerente só a criação de um oraculo proprio, ou todos os oraculos devem ser “imanados”, por exemplo, o mal funcionamento de um Tarot de Marselha pode ser devido a falta de emanação?”

Todos os oráculos partem, como dito acima, de um conjunto de regras conectam o funcionamento do oráculo ao universo espiritual. O I ching por exemplo usa a teoria dos cinco elementos. A astrologia usa a heptarquia, os quatro elementos, etc. Quando o conjunto de regras representa adequadamente o universo espiritual, temos que entra a parte divina da “divinação”. Os padrões que surgem naturalmente no oráculo, e que chamamos de “aprender”, ou “ganhar experiência prática” com o oráculo, surgem desse processo que emana do espiritual ao físico.

Na próxima semana eu exemplificarei toda a minha ladainha com a criaçao de um oráculo novo, e a mostra de como as regras, por mais arbitrárias que possam parecer para o pensamento moderno, seguem uma ordem, e como o processo de emergência é natural para qualquer sistema divinatório.

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Divinação

3 Junho, 2009 · 10 Comentários

scryinglap

O leitor Carlos tem me “interrogado” querendo saber o que constitui os sistemas divinatórios, principalmente perguntas referentes a como funciona ou pode funcionar métodos como o I ching e o tarot.

O entendimento disso pode nao parecer muito importante para quem estuda só astrologia moderna (com seu foco exclusivo em natal), mas astrólogos tradicionais estao acostumados com a astrologia horária, que tem a mesma natureza divinatória do tarot, i ching, runas, etc.

Imagina que uma pessoa faz um oráculo próprio, pode ser um baralho feito pela pessoa, ou outro tipo de oráculo, não tem que ser cartas. Ele funcionará segundo as regras estipuladas pela pessoa?

Eu ia usar um artigo de uma revista, mas infelizmente ele saiu do ar, entao vou ter que fazer de memória. Bem, azar deles que perdem o link.

A pergunta é muito comum em coisas como tarot, que vieram ao Brasil pela via esotérica, e é comum no povo do “eu nao sigo regras porque sou intuitivo”, que deve ser lido como “eu não aprendi profissionalmente e nao tenho muita idéia do que estou fazendo. Às vezes acerto”.

No tarot, para deixar claro o assunto, podemos dividir a simbologia entre “temas universais” (que não são universais, mas são amplamente aceitos) e convenções pessoais.

Um tema universal é aquele que é amplamente aceito e é razoavelmente óbvio a partir da figura e da história do arcano. Por exemplo associar a Torre com queda, perda de poder, a situação se inverte, cuidado com o ego, etc, etc, etc.

Um exemplo disso é um “tarólogo” que eu vi na televisão, dizendo “previsões” para um cantor local: só falou belezas, e as cartas todas do tipo Morte, 3 de espadas, 5 ouros, Torre, Diabo. E ele falando maravilhas, até que a apresentadora, tímida, interrompeu, “mas essas cartas não parecem muito ruins, não?”

Ou seja, até um amador pode captar o tema universal a partir da figura da carta. Já ensinei alguns princípios básicos de tarot para amadores assim: sem saber nada sobre a carta a pessoa tenta responder uma pergunta e se guia pelos elementos visuais e suas associaçoes.

O segundo tipo é a convenção pessoal. Ela surge de experiencias anedóticas importantes, de associações particulares da pessoa, ou seja um insight, etc.

Exemplos, cada vez que se pergunta sobre viagem e você vê a carta Temperança, você diz “Europa”. Nao existe em nenhum livro isso. Essa é sua convenção pessoal, que você criou por sua experiência e desejo.

Ora, tendo claro esses dois conceitos, é inevitável que qualquer pessoa orientada pela lógica pergunte quais são os limites da convenção pessoal. Minha teoria pessoal sobre o assunto é simples: o significado convencional deve estar dentro do significado coletivo.

Muita gente convenciona coisas como razoavelmente arbitrárias, como nomes e países, como exemplificado acima. Já vi coisas como a Força representando “homens gays”, o Papa representando “homens casados”, etc. Como explicado, esse tipo de convenção só vale para a pessoa e não faz parte do folclore e das técnicas comuns entre os praticantes.

Funciona? Ou seja, se o tarot responde a esse tipo de convenção, não tem nenhuma barreira para dizer “funciona assim porque eu quero”. Como dito acima, mais ou menos. O tarot responde a convenções, mas de maneira limitada.

A resposta mais curta seria se o tarot respondesse de maneira ilimitada a convenções, seria impossível errar uma leitura. Cada um leria do seu jeito e sempre acertaria. Não seria necessário “aprender” o tarot ou astrologia, porque nao haveria nada a aprender. Cada um inventaria seu próprio método, e a partir do momento em que fosse inventado, ele passaria a funcionar.

Qualquer pessoa pode inventar uma convenção do tipo “temperança significa viagem para os EUA”. Geralmente isso vem de um caso de sucesso que ficou na sua memória. O problema é ver se isso realmente funciona de maneira consistente, já que o número de casos que você verá será normalmente bem limitado. Normalmente a pessoa não lembra dos casos onde a Temperança apareceu e nenhuma viagem foi marcada, mas isso é outro tema.

Então quais são os limites dessas convenções? As convenções morrem quando (1) elas contradizem o simbolismo mais amplo ou (2) elas são muito restritas ou limitadas para descrever a situação real.

Assim, se você atribui certos significados que vão contra a natureza da carta, eles nao vao funcionar. Tenho visto várias pessoas interpretarem incorretamente a carta “o carro” como sendo sucesso, conquista, e entao em perguntas do tipo “vou conseguir o emprego” sempre julgarem “sim”. Ora, apesar do Carro realmente ter conotações de sucesso, há um simbolismo mais profundo que tem que ser analisado, pois o carro é principalmente uma carta marcial, de conflito, luta e, através dessa luta, o possível sucesso. O tipo de sucesso que o carro traz não é nem garantido, e nem é o tipo de sucesso que é adequado para um relacionamento amoroso, por exemplo.

Um outro exemplo seria ler a carta do Imperador, que é pouquíssimo emotiva, como tendo o significado de casamento. Nao, ela não tem. A convenção particular não tem o poder de criar significados que o símbolo, no seu nível maior e mais profundo, não tem.

O segundo problema lógico vem quando a atribuição do significado convencional é muito restrito para mostrar a realidade. Ou seja, fere o princípio do “o que está embaixo é igual ao que está acima”. Carlos coloca um exemplo desse tipo de “oráculo” em sua pergunta:

“Imagina que o teu oraculo tem uma pedra branca e uma pedra negra. se perguntas “qual é a cor do carro do Roberto?” se esse carro é azul, sai a pedra preta. se o carro é amarelo, sai a pedra branca. O oraculo está a responder bem dentro dos seus limites.”

Sim, mas os limites foram definidos de maneira demasiado restrita e param de representar o universo. Vou discutir isso na próxima semana, com um exemplo mais “didático” para que o que eu fale não fique tanto no vazio.

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Horária Teste – Vou conseguir o emprego?

25 Maio, 2009 · 10 Comentários

teste horaria emprego

Essa é uma horária teste, com resposta conhecida. A resposta será colocada aqui na sexta feira à noite.

A astrologia horária é a astrologia das perguntas concretas e objetivas. Eu costumo responder esse tipo de pergunta no meu outro blog http://astrologiapreditiva.wordpress.com

Mesmo que você não tenha muita experiência com a astrologia horária, tente responder. O único método para aprender é cometendo erros. Nao há vergonha em errar, mas há vergonha em nao tentar.

No entanto, essa é uma horária particularmente difícil.

Coloque sua resposta na sessao de comentários.

Pergunta: “vou conseguir esse emprego?”

uma colega minha de mestrado disse que poderia haver uma vaga de professor na faculdade onde ela trabalhava. Ela marcou no outro dia para eu aparecer lá e conversar com os coordenadores.

19/Junho/07
13h39
Bogota Colombia

Nota: a carta está em Alchabitius, mas por erro. Geralmente eu uso Regiomontanus. O leitor use o sistema que quiser.

Editado: Obrigado a todos que responderam! Aprecio o esforço e acredito que o simples ato de tentar e prever, é a peça fundamental da formação do astrólogo.

A resposta está abaixo, nos comentários. Abraços

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Introduçao à Astrologia Horária

27 Abril, 2009 · 8 Comentários

A primeira versão do curso de astrologia para iniciantes já está quase completa. Eu pessoalmente estou bem satisfeito com o nível dos estudantes, sua participação e entusiasmo.

Aprendemos coisas interessantes sobre o básico de astrologia eletiva, horária, natal (temperamento) e magia astrológica.

Aqui, para todos os interessados que nao conseguiram se inscrever a tempo, um vídeo que eu fiz para o curso, introduzindo o que é a astrologia horária.

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Fundação de Bagdá

31 Março, 2009 · 1 Comentário

bagdad-001

Bagdá, antes de virar playground dos americanos procurando petróleo para suas SUVs (as caminhonetes do tipo bebedora de gasolina, que na gringolândia é considera item de primeira necessidade), foi um dos maiores centros culturais e científicos do mundo. Na época que era costume na Europa jogar as fezes pela janela da rua, Bagdá já tinha iluminação pública.

Ao contrário da maioria das cidades, que apenas vão se acumulando, Bagdá foi construída. Ao contrário das Brasílias da vida, feitas de qualquer jeito, o momento da fundação da primeira pedra foi escolhido astrologicamente pelos melhores astrólogos do califa. E, o ponto chave, esse horóscopo sobreviveu até hoje.

A esquecida arte da astrologia eletiva

Há duas artes que praticamente desapareceram no tempo: a astrologia mundana, que cuida da previsão sobre os reinos e nações, e a eletiva, que cuida da escolha do melhor momento para se empreender uma ação.

A astrologia mundana foi substituída pelo “comentário depois do fato”. A astrologia, que já teve melhores dias, hoje está presa ao mesmo pequeno papel que os economistas de televisão, dizer bobagem sobre o que todo mundo já sabe. A astrologia eletiva foi substituída por uma série de conselhos que nunca foram postos em práticas pelas pessoas que os aconselham.

Combinar as duas, e fazer uma eletiva para uma cidade ou nação, então nem se fala. O último casos que eu conheço foram a coroação da Rainha Elizabeth, elegida por John Dee, e supostamente a declaração de independência de Burma.

Falar mal é fácil

Como a astrologia eletiva é “a arte do possível”, nenhuma carta será perfeita. Você não pode esperar 2 semanas para mandar um email, cinco anos para se casar, ou três décadas para construir a cidade. Você pega o que é possível.

Por isso que um sinal de extrema descortesia e até despreparo, é criticar a carta eletiva de outro astrólogo, sem oferecer uma opção no seu lugar. Por que ? Porque toda carta é imperfeita e já sabemos disso. Elas são falhas por definição. É o dever de quem critica achar uma carta melhor !

E acredite em mim, sempre vai ter um problema. Em uma, marte vai estar angular, na outra vênus perdeu dignidade, você ajusta mais um pouco e a lua fica em quadratura com saturno, ou então o evento ficou muito próximo de um eclipse, etc, etc. Não há escapatória, e acho que isso reflete também sobre a natureza da vida, ganha-se numas, perdem-se em outras.

Como aprender eletiva

A astrologia eletiva talvez seja a mais difícil de se aprender, justamente porque não reconhecemos nossos erros. Na horária, às vezes basta alguns dias para se ter um resultado. Dos nossos erros é que aprendemos. Mas na eletiva, quando sabemos se erramos ou não ? Veja o caso de um casamento que acaba em divórcio ? A data do casamento não foi bem escolhida ou os dois eram incompatíveis? E, se a média de duração de um casamento for de 4 anos, e os dois duram 8, brigando o tempo todo, foi um sucesso ou um fracasso ?

Então uma maneira interessante parece ver as cartas que os antigos realmente fizeram. Isso é importante. Se você lê william lilly por exemplo, você vê que a maneira como ele interpreta é bem diferente da maneira como ele diz que você deveria interpretar uma carta.

A carta de Bagdá

James Holden, baseado em Al Biruni, diz que a data da construção de Bagdá, é 31 de Julho do ano 762 (no calendário Juliano). Nessa carta temos um ascendente em sagitário com Júpiter perto do ascendente.

John Frawley usa uma carta diferente, com Júpiter no Meio do céu. Como Frawley não dá referências nem justificações, ou ele cometeu um erro, ou inventou da cabeça dele.

fundacao-bagda

Curiosamente, os astrólogos modernos sequer conseguem decidir se o resultado foi afinal bom ou ruim ! Numa recente revista indiana, o autor chega ao ponto de decretar que a carta é tão ruim que os astrólogos na verdade conspiraram para derrubar o poder do califa ! Esse é um exemplo de uma teoria conspiratória um pouco extremada: “eu não entendo essa carta, eu não gosto dela, então é óbvio que eles fizeram essa carta pelos motivos errados”. Obviamente essa conclusão foi tirada através de, tcham, tcham, tcham, tcham. Plutão !

Considerando que plutão não seria conhecido pelos próximos 1000 e trocentos anos, será que os pobres astrólogos do califa escolheram, por puro acaso, uma data em que Plutão estava sentado no ascendente ? Que nada, plutão estava quietinho em escorpião, muito longe de qualquer aspecto com os ângulos da carta. Daí esperamos a sugestão de onde colocar esse maléfico moderno, já que aparentemente nem na casa 12 ele sossega (a casa 12 é uma casa “invisível”, onde todas as coisas que entram têm sua influência diminuída).

O único fator não plutoniano mencionado é a oposição de marte e júpiter retrógrado na carta. Isso “certamente” prova a conspiração.

O fato é que, como dito antes, nenhum dos astrólogos críticos sabe realmente como fazer uma eletiva para criar uma cidade ! É um conhecimento antigo e que se perdeu. Além disso não sabemos quais eram as restrições reais de tempo e recursos que eles tinham. Ao meu ver, a postura que deveríamos ter é de humildade, vendo a carta com cuidado e procurando qual foi a sua lógica e ver o que podemos aprender dela. Simplesmente dizer “eu não entendo essa carta, portanto ela é ruim”, não me parece uma postura de respeito com o conhecimento passado.

Note também que a “prova” de que a carta de Bagdá foi mal elegida é basicamente por problemas atuais, com invasões americanas e terrorismo. Ora, e os outros 1.300 anos de história ? E toda a época em que Bagdá foi a jóia do oriente, com cultura, ciência e arte, na época que os europeus morriam aos milhões por causa de seus piolhos? Aparentemente na mentalidade moderna isso não conta. Onde estará Brasília ou Washington em 1300 anos ? Provavelmente em pó!

Mistérios da Carta de Bagdá

O primeiro ponto a se analisar é Júpiter. Júpiter obviamente foi escolhido para ser o significador mais representativo de Bagdá. Ele rege o ascendente e está em conjunção ao ascendente (não temos o momento exato para saber a distância, mas está perto). Ele rege nao apenas a casa 1, mas também a casa 4 das construções e bases.

Qual é o estado de Júpiter. Júpiter está angular então pode dar 100% do que e´prometido. A qualidade do que é prometido é boa, já que júpiter está em seu próprio signo. Como o signo é masculino, júpiter é um planeta diurno, e a carta é diurna, Júpiter está em hayz e seu potencial para manifestar-se é excepcionalmente forte. Além disso, apesar de Júpiter aparecer como retrógrado, ele ainda está em seu período de estação. Principalmente na astrologia védica e helenística (que provavelmente tinham grande influencia sobre Mashalah) planetas em sua estação são muito importantes, são como grandes avisos no céu dizendo “olhe aqui primeiro”. Júpiter também recebe um positivo trígono do sol.

O grande mistério, como já mencionado, é a oposição com marte. Oposições devem ser evitadas em astrologia eletiva, principalmente com maléficos. Marte na casa 7 especificamente parece determinado a representar guerras e inimigos !

Além do mais, pareceria fácil evitar esse aspecto: esperando apenas alguns dias marte estaria se afastando da oposição com júpiter e seu poder cairia tremendamente.

Classical astrologer tenta interpretar essa oposição, mas com vários erros. Ele afirma que Júpiter não enxerga a marte porque estão em casas diferentes. Isso não tem importância no assunto, já que eles realmente estão fazendo um aspecto de oposição ! Não vai ser uma leve diferença nas casas que vai impedir esse aspecto!

Nina Gryphon pensa que o problema pode ser de pragmatismo… os astrólogos não achavam realista esperar por um reinado pacífico para uma cidade como Badgá, e já a criaram preparada para a guerra.

Uma possibilidade que eu vejo no argumento de Nina Gryphon é que uma técnica passada por Bonatti é de colocar aos planetas superiores (marte, júpiter e saturno) como representantes do seu exército, enquanto os inimigos recebem os planetas inferiores (principalmente mercúrio e vênus). Note que Bagdá fica com Júpiter e Saturno (regente da casa 2, representando seus recursos e exércitos), enquanto o inimigo genérico fica com mercúrio e vênus ! Note também que mercúrio, representante do inimigo, está peregrino, na casa 8, retrógrado, e conjunto ao nodo sul.

É possível também que eles colocassem marte na casa 7 para afligir a casa 7, mas isso eu não tenho muita certeza.

Nina Gryphon e Classical astrologer notam que o sol na casa 9, em seu próprio signo, estava em sua casa de júbilo, onde representa a religião, piedade e sabedoria. O sol também estava conjunto à estrela regulus (que hoje em dia está em 29 Leão) e que dá muito poder e fama. Houve um eclipse solar uma semana antes. É pouco claro para mim se o astrólogo estava tentando se aproveitar das energias do eclipse, ou se ele estava tentando uma eleição o mais longe possível do eclipse, e achou que uma semana fosse suficiente.

É dificil entender a posição da lua. Ela está no final de um signo no qual não tem especial poder, está num ponto crítico que é a “quadratura” aos nodos e faz um aspecto fora-de-signo de oposição a Saturno! É dificil saber aqui o que eles queriam, pois é muito diferente da prática atual ! Algumas hipóteses que tenho:

  • Eles seguiam o conselho de Dorotheus de colocar a lua crescente e também aumentando em latitude (mas Dorotheus diz para deixar ela no equador, e ela está com latitude máxima sul!)
  • Esses astrólogos ou não consideravam a oposição com saturno (por estar fora de signo), ou consideravam que a lua em libra tinha mútua recepção com saturno em touro. Mas isso contraria algumas cartas em que Mashalah considerava a recepção a partir do próximo signo, ou seja, como a lua iria para escorpião, ela teria recepção com marte, mas não com saturno…
  • Eles queriam propositadamente enfraquecer a lua, por ser significadora da casa 8 (morte e recursos do inimigo).
  • Eles queriam conectar a lua com a casa 11, e conectar esses dois a casa 7. O simbolismo seria de trazer comércio, poder ao rei, e amizades aos aliados.

Mas, como ditos antes, tudo isso é apenas especulação. Ninguém deixou a planta com as explicações!

Por último, note as partes arábicas. A parte do espirito está exatamente no MC. A parte do espirito era também chamada de parte dos reis. Talvez isso fosse uma maneira de consolidar o poder real. Há várias outras partes, como a parte da vitória, do valor, etc, que estão conjuntos a pontos importantes, como o sol, o MC, Júpiter e o ascendente !

Uma carta importante e interessante para se investigar como se fazia eletiva na prática, já que temos muito poucos exemplos do processo. Muito melhor parar e estudar com profundidade, do que sair gritando aos quatro ventos que plutão na casa 12 causou a invasao dos EUA 1300 anos depois.

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Nehran Magazine

23 Março, 2009 · 1 Comentário

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Logo depois da inauguração do Obama, eu comentei sobre a carta da inauguração dele. Você sabe, aquela que fizeram a polêmica de que estava “fora de curso” (não estava realmente fora de curso), e que teve o segundo juramento, o que levou aos astrólogos defensores da astrologia pocotó a defender que os Estados Unidos tinham ficado sem presidente por mais de um dia. Note que Obama assinou um monte de coisas durante esse período, e nenhuma delas foi impugnada !

Também surgiram rumores bobos de que todos os presidentes que assumiam o poder durante uma lua fora de curso morriam, e o companheiro astrólogo Rodney Smith escreveu um artigo para desmentir essa bobagem. Fora isso me irritou o monte de análises idiotas do tipo “vemos que o ascendente da inauguração é touro, e o regente do ascendente da inauguração é vênus, que está em peixes, mostrando que Obama é um utópico…”

A carta da inauguração sempre vai ser touro ! E em metade das inaugurações, vênus vai estar em peixes! A carta da inauguração de Bush também tinha vênus em peixes, e todos sabemos que grande “utopista” ele foi!

Ou seja, o povo teve preguiça até de abrir a carta para o Bush!

Então, acabei analisando todas as cartas inaugurais desde 1781, quando George Washington assumiu, até Obama, procurando diferenciar as cartas de inauguração dos presidentes que terminaram o mandato (a grande maioria) dos que morreram no meio (de assassinato ou doença).

Óbvio que esse tipo de estudo empírico é muito limitado. O que aconteceu no passado nao tem nenhuma garantia de acontecer novamente! Mas pelo menos é um estudo sistemático, usando um método fácil e despretensioso. Eu pessoalmente acredito que ele seja bom para levantar o sinal de perigo, e a partir daí o astrólogo use outras ferramentas buscando confirmação.

Você pode fazer o download da revista em inglês aqui:

www.nehran.com/EngMar09.pdf

A cópia para celulares e pocket PCs

www.nehran.com/EngMar09Mob.pdf

E, se tiver algum louco que fale árabe:

www.nehran.com/AraMar09.pdf

O editor disse que o artigo foi bem recebido na versão em árabe, e me convidou para escrever novamente na Edição de Junho.

Basta agora arrumar um tema!

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